A Receita Federal e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram nesta quarta-feira (28) a Operação Jogo de Sombras, que investiga sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro ligados ao mercado de apostas esportivas. Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em João Pessoa, Recife e São Paulo. A ação mobilizou 28 servidores da Receita Federal, além de procuradores da República, policiais e peritos do MPF Não há mandados de prisão.
O leitor paraibano agora quer saber: como um grupo empresarial movimentou mais de R$ 5 bilhões em apostas sem pagar os impostos devidos? O esquema, segundo a investigação, usava uma empresa registrada em Curaçao para dar a aparência de que as atividades aconteciam no exterior, antes da regulamentação das apostas no país. Empresas brasileiras ligadas ao grupo, porém, seriam as verdadeiras responsáveis pela operação em território nacional, de acordo com reportagem do Fonte83.
Por que isso importa para o paraibano: a operação mostra que, mesmo depois da regulamentação das apostas no Brasil, parte das empresas do setor pode estar usando estruturas para reduzir ilegalmente a carga tributária, o que impacta diretamente a arrecadação de impostos que financiam serviços públicos no estado.
O mecanismo do esquema
Os investigadores apontam que o grupo empresarial usava três camadas para esconder o dinheiro:
- Empresa offshore em Curaçao: uma companhia registrada no paraíso fiscal caribenho dava a aparência de que as apostas eram operadas do exterior, antes da regulamentação do setor no Brasil.
- Empresas brasileiras de fachada: companhias registradas no país seriam, na prática, as responsáveis pela operação real, mas apareciam apenas como prestadoras de serviços.
- Instituições de pagamento e fintechs: o grupo usava contas em fintechs e operações internacionais para dificultar o rastreamento do dinheiro. Parte dos recursos enviados para fora do país retornava como supostos pagamentos por serviços.
Os investigadores apuram se o grupo registrava despesas fictícias para reduzir o valor dos impostos pagos ao governo.
Os números da investigação
Segundo as investigações, o grupo movimentou mais de R$ 5 bilhões somente em 2025. A Receita Federal abriu 11 procedimentos fiscais e estima um potencial de recuperação de aproximadamente R$ 300 milhões aos cofres públicos.
Os crimes investigados são sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. O material apreendido será analisado para identificar a origem e o destino dos recursos e quem seriam os verdadeiros beneficiários das movimentações financeiras.
O que muda para o apostador paraibano
A operação não atinge diretamente quem faz apostas esportivas em plataformas online. Não há risco de o apostador ser investigado por usar os serviços. O alvo da operação são os donos e operadores das plataformas suspeitas.
Na prática, porém, o paraibano pode sentir o impacto indireto: se a investigação confirmar a sonegação fiscal, o governo deixa de arrecadar impostos que poderiam ser destinados a saúde, educação e segurança no estado. A Receita Federal estima que R$ 300 milhões podem ser recuperados, valor que, se confirmado, representa dinheiro que volta aos cofres públicos.
O que ainda está em aberto: não há informação oficial sobre quais empresas de apostas são alvo na Paraíba, seis mandados foram cumpridos especificamente em João Pessoa. As defesas dos investigados também não se manifestaram até o momento. A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta dos investigados, mas não conseguiu entrar em contato.




