O governador João Azevêdo (PSB) lidera a disputa pelo Senado na Paraíba com 48% das intenções de voto, mas o que chama a atenção na nova pesquisa Quaest é o comportamento da rejeição entre os quatro primeiros colocados. Afinal, ter menos eleitores que dizem “não votaria de jeito nenhum” pode ser tão decisivo quanto a vantagem nas urnas.
João tem a menor rejeição entre eles: 26% dos entrevistados disseram conhecê-lo e não votariam nele. O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), segundo colocado com 28% das intenções, tem a maior rejeição do grupo: 35%. Os dados são da pesquisa Quaest encomendada pelas TVs Cabo Branco e Paraíba, registrada no TSE sob o número PB-01325/2026, e divulgada nesta terça-feira (22).
O que a rejeição significa na prática
Numa eleição para o Senado, a rejeição indica o teto de votos que um candidato pode alcançar. Um eleitor que rejeita alguém dificilmente muda de ideia até o dia da votação. Por isso, uma rejeição alta como a de Veneziano (37%) significa que, mesmo sendo o segundo nas intenções de voto, ele tem um limite mais baixo para crescer. Para vencer, precisaria convencer eleitores que hoje o rejeitam, tarefa mais difícil do que conquistar quem ainda não o conhece.
João, com 25% de rejeição, tem mais espaço para atrair novos votos. Foi o único entre os quatro primeiros a reduzir a rejeição na comparação com a rodada anterior, de 25 de agosto: caiu de 29% para 26%. No mesmo período, a rejeição de Veneziano subiu de 32% para 35%; a de Nabor Wanderley (Republicanos) saltou de 21% para 29%; e a de Marcelo Queiroga (PL) passou de 26% para 28%.
O que a margem de erro muda na leitura
A pesquisa ouviu 804 pessoas entre 18 e 21 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de confiança. Isso significa que as variações entre as rodadas só podem ser consideradas reais se ultrapassarem esse limite.
No caso de João, a queda de três pontos na rejeição (de 28% para 25%) está no limite da margem. Ou seja, pode representar uma redução real, mas também pode ser apenas oscilação estatística. Já o aumento de oito pontos na rejeição de Nabor (de 22% para 30%) está fora da margem, é uma mudança consistente. A alta de três pontos de Veneziano (de 34% para 37%) também está dentro da margem, o que exige cautela na interpretação.
O que muda para o paraibano
Para quem acompanha a eleição ao Senado, o dado prático é este: a vantagem de João não está só nos 28% de intenção de voto, mas no fato de ele ter o menor percentual de eleitores que o rejeitam. Isso lhe dá mais fôlego para crescer até outubro. Já Veneziano, mesmo em segundo lugar, enfrenta um teto mais baixo: um em cada três eleitores já descarta votar nele. Nabor, que mais cresceu em rejeição, viu sua imagem piorar de forma consistente entre os eleitores. O dado mostra que, além de saber em quem votar, o eleitor paraibano já decidiu em quem não votar, e essa escolha pode definir a disputa.




