A quebra do vidro de proteção da estátua de Iemanjá, na Praia do Cabo Branco, durante a madrugada deste sábado (19 de setembro de 2026), atingiu a comunidade de matriz africana, frequentadores e paraibanos que veem no monumento um símbolo de diversidade cultural e liberdade religiosa. A imagem da santa não foi danificada, mas o ato acendeu o alerta sobre a necessidade de proteção do patrimônio.
A Prefeitura de João Pessoa já reforçou a segurança no local e a Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial acompanha a apuração do caso junto à Polícia Civil e ao Ministério Público da Paraíba, segundo informações do Política PB.
Por que isso importa: O monumento foi revitalizado e entregue à população em dezembro, é um ponto de encontro para atividades culturais, religiosas e de lazer. A impunidade enfraquece a proteção de outros espaços de culto e memória das religiões de matriz africana na cidade.
Canais de denúncia e participação
A população pode ajudar a identificar a autora do vandalismo e cobrar respostas rápidas das autoridades. A principal ferramenta disponível neste momento é a Guarda Civil Metropolitana de João Pessoa, que funciona 24 horas e pode ser acionada pelo Disque 153. Quem tiver informação sobre a mulher que aparece nas imagens do sistema Smart City pode ligar para o número.
Além do canal da Guarda, a Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial informou que, a partir desta segunda-feira (21), passará a acompanhar o caso diretamente na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Homofóbicos, Étnico-Raciais e Delitos de Intolerância Religiosa (DECHRADI). A DECHRADI investiga crimes de intolerância religiosa.
O que a comunidade pode cobrar
Dois órgãos já estão com o caso:
– Ministério Público da Paraíba (MPPB): Instaurou a Notícia de Fato nº 002.2024.059514, sob responsabilidade da promotora Fabiana Lobo, da 46ª Promotoria de Justiça da Cidadania e dos Direitos Fundamentais. O procedimento foi aberto de ofício para acompanhar as investigações. As imagens já foram disponibilizadas ao órgão.
– Polícia Civil (DECHRADI): Recebeu as informações e imagens coletadas pela Guarda Civil e pela Prefeitura. A partir de segunda, a Coordenadoria de Igualdade Racial fará o acompanhamento presencial na delegacia.
Grupos religiosos de matriz africana, moradores do Cabo Branco e frequentadores da praça podem usar os canais oficiais para cobrar celeridade: o Disque 153 para novas informações e o próprio MPPB para questionar o andamento da Notícia de Fato.
O que está em jogo para quem frequenta a Praça de Iemanjá
A Prefeitura já solicitou a limpeza do local e a reposição do vidro de proteção, além do reforço do plantão de guardas municipais. A coordenadora Carla Uedler afirmou que a imagem de Iemanjá representa a diversidade cultural e o respeito às tradições de matriz africana. A punição da autora e a eficácia da nova proteção dependem da participação da comunidade no monitoramento e na denúncia. Se o caso cair no esquecimento, o monumento e outros espaços religiosos ficam mais vulneráveis a novos ataques.



