O ex-deputado estadual Ricardo Barbosa (PP) anunciou, neste domingo (23), que não vai mais disputar uma vaga na Câmara Federal nas eleições de 2026. Em vez disso, ele passou a integrar a coordenação da campanha de reeleição do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), principal nome do partido na disputa proporcional. A decisão revela uma tensão concreta: o que fazer com o capital eleitoral que Barbosa construiu em Campina Grande e região, onde obteve 63.777 votos em 2022.
A informação foi publicada no domingo (23). Para o leitor paraibano, a movimentação importa porque mexe diretamente na distribuição de votos do PP e pode definir quem ocupa as cadeiras da bancada federal do estado.
Para onde vão os votos de Ricardo Barbosa em Campina Grande?
Ricardo Barbosa deixou a Assembleia Legislativa em 2022 após quatro mandatos consecutivos (2007-2022) e tentou migrar para a Câmara Federal. Ficou como suplente com 63.777 votos, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PB). Naquele ano, o coeficiente eleitoral para deputado federal na Paraíba foi de 144.214 votos, ou seja, mesmo que Barbosa tivesse repetido a votação, não atingiria sozinho o número necessário para eleger um deputado.
Com a desistência, o eleitorado que o acompanhava em Campina Grande e no interior do estado não tem um destino automático. A coordenação da campanha de Aguinaldo Ribeiro, da qual Barbosa agora faz parte, planeja canalizar esses votos para o próprio Aguinaldo. A lógica é concentrar a votação do PP em um único nome forte para maximizar as chances de atingir o coeficiente eleitoral e puxar outros candidatos da coligação.
Como a estratégia de concentração de votos afeta os candidatos do PP
A decisão de Barbosa não é isolada. O governador Lucas Ribeiro (PP), que lidera a coligação majoritária, depende de uma bancada federal robusta para sustentar seu projeto político, segundo o site oficial do governo da Paraíba. Priorizar a candidatura de Aguinaldo Ribeiro indica que o partido está apostando na força de um nome consolidado, em vez de pulverizar votos entre vários postulantes.
Do ponto de vista partidário, os votos que iriam para Barbosa podem ser redistribuídos de duas formas: parte vai para Aguinaldo. Outra parte pode migrar para candidatos a deputado estadual do PP alinhados com a mesma base. A coordenação da campanha, agora com Barbosa dentro, tem a função de gerenciar essa redistribuição, mas o plano oficial não foi detalhado publicamente.
O que ainda está em aberto para os eleitores de Campina Grande
A desistência de Ricardo Barbosa, embora apresentada como “recuo estratégico”, deixa sem resposta direta como os eleitores que votariam nele serão orientados. O anúncio foi feito ao lado de Aguinaldo Ribeiro, mas não há, até agora, uma campanha explícita de transferência de votos. A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta de Ricardo Barbosa, mas não conseguiu entrar em contato.
O gesto reforça a aposta do PP na majoritária: fortalecer a candidatura de Lucas Ribeiro ao governo. Usa a força de Aguinaldo na Câmara como ponto de apoio. Para quem acompanha a disputa proporcional em Campina Grande, o movimento mostra que o partido prefere um nome forte a uma multiplicidade de candidatos, mas o efeito concreto sobre a composição da bancada federal só será conhecido em 2026.




