O deputado estadual Chico Mendes (PSB) trocou a disputa pela reeleição na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) pela primeira suplência na chapa de João Azevêdo ao Senado. Com isso, a empresária Nil Mendes, esposa do parlamentar, entrou na nominata do PSB como candidata a uma vaga de deputada estadual, apoiada por prefeitos da base política construída por Chico no Sertão paraibano.
A tensão real está na aposta de transferir o capital eleitoral do grupo para a esposa, enquanto o deputado concentra esforços na campanha majoritária de João Azevêdo. A movimentação revela uma estratégia que busca manter o espaço do grupo na disputa proporcional sem abrir mão do reforço à chapa ao Senado.
A estratégia por trás da suplência
Chico Mendes abriu mão de concorrer a um novo mandato na ALPB para se tornar o primeiro suplente de João Azevêdo na corrida ao Senado. A decisão altera o papel do deputado na eleição deste ano: ele deve concentrar a atuação na campanha majoritária, enquanto Nil Mendes assume a tarefa de manter o eleitorado do grupo na disputa proporcional.
O grupo político do deputado reúne lideranças de cerca de 20 prefeitos eleitos em 2024, segundo o próprio Chico Mendes. Essa estrutura será agora direcionada à candidatura da esposa. A legislação eleitoral permite a suplência em chapas majoritárias e não impede que cônjuges disputem cargos eletivos, desde que cumpram os requisitos de elegibilidade, conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Riscos e benefícios da aposta
O benefício imediato é ampliar a presença do grupo na campanha de João Azevêdo, candidato do PSB ao Senado, sem perder completamente o espaço na ALPB. Nil Mendes, como novata na política, carrega o nome e a estrutura do marido, o que pode atrair votos fiéis ao deputado.
O risco é que a transferência de votos e apoio político de um candidato para outro, mesmo familiar, não é automática. Depende da capacidade de Nil Mendes de engajar o eleitorado e da força da estrutura herdada. Se a candidatura não decolar, o grupo pode perder a cadeira que Chico ocupava na Assembleia.
Impacto no Sertão e na chapa de João Azevêdo
No Sertão paraibano, a base de Chico Mendes é um ativo eleitoral. Ao colocar a esposa como candidata proporcional, o deputado tenta preservar essa influência enquanto se dedica à campanha de João Azevêdo. Para a chapa majoritária, a movimentação garante um cabo eleitoral dedicado a percorrer municípios e reforçar o palanque do ex-governador.
Uma eventual vitória de João Azevêdo ao Senado faria de Chico Mendes o primeiro suplente, o que pode garantir ao deputado uma vaga futura no Congresso, caso o titular se licencie ou assuma outro cargo. Isso, porém, ainda depende do resultado das urnas e de articulações futuras.
Contexto: suplência e familiares na política paraibana
A Paraíba tem histórico de políticos que lançam familiares para disputar cargos eletivos, com o objetivo de manter ou expandir a influência. Um exemplo é a família Cunha Lima, com diversos membros ocupando mandatos no estado.
A estratégia de Chico Mendes não é inédita, mas é uma aposta dupla: fortalecer a chapa majoritária e preservar a representação proporcional do grupo. O sucesso da manobra dependerá da aceitação de Nil Mendes entre os eleitores e da capacidade de Chico de manter a base unida enquanto divide seu tempo entre duas frentes de campanha.
O que está em jogo para o grupo de Chico Mendes
A eleição de 2026 testará se a transferência de capital político de um deputado experiente para uma candidata estreante é viável. Se Nil Mendes for eleita, o grupo mantém uma cadeira na ALPB e Chico Mendes ganha liberdade para atuar na campanha de João Azevêdo. Se ela não conseguir os votos necessários, o grupo perde representação na Assembleia e fica dependente da suplência no Senado.
A movimentação também expõe a fragilidade de uma estratégia centrada em uma única figura. O eleitorado do Sertão paraibano, que conhece Chico Mendes, terá de avaliar se o nome da esposa é suficiente para manter a confiança. A resposta virá nas urnas em outubro.




