No domingo (23), o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) negou um pedido para suspender a pesquisa eleitoral PB-07790/2024, registrada pela empresa Real Time Mídia. A pesquisa será divulgada nesta segunda-feira (24). A decisão mantém o levantamento mesmo após questionamentos sobre o uso de inteligência artificial e de um formulário divulgado no Instagram.

Para o eleitor paraibano, o resultado prático é que os números de intenção de voto para prefeito e vereador sairão conforme o planejado. Mas a polêmica em torno do método levanta uma dúvida: como saber se uma pesquisa é confiável quando ela usa ferramentas digitais e IA?

O que significa uma pesquisa ser registrada no TRE-PB

Registrar uma pesquisa eleitoral é obrigatório. A empresa entrega ao tribunal o plano amostral, a metodologia, o período de coleta e o questionário. O número de registro, neste caso, PB-07790/2024, permite que qualquer pessoa consulte os dados oficiais no site do TSE.

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A pesquisa da Real Time foi registrada em 18 de agosto. O plano prevê 1.600 entrevistas realizadas entre 19 e 22 de agosto. O plano combina entrevistadores humanos e recursos de inteligência artificial, com abordagens telefônicas e digitais. O plano amostral sorteia municípios e localidades nos dois primeiros estágios e usa cotas para selecionar os entrevistados no último estágio. Ou seja: não é uma coleta 100% aleatória, mas o método foi informado e aceito no registro.

Por que o uso de IA e Instagram não foi considerado irregularidade

A Coligação Pra Seguir Avançando entrou com uma representação contra a pesquisa. O principal argumento era que o formulário eletrônico divulgado por publicidade no Instagram permitia participação voluntária, o que poderia quebrar o plano amostral. Também apontaram possível ausência de randomização das alternativas e incompatibilidade entre o sistema de fiscalização e o caráter autoadministrado do formulário.

O juiz membro Sivanildo Torres Ferreira reconheceu que havia elementos para análise, mas considerou as provas insuficientes para suspender a pesquisa. A decisão apontou que o próprio registro já previa o uso de meios digitais e inteligência artificial. Como o último estágio da amostra usa cotas (e não sorteio puro), a participação voluntária via formulário digital não rompe, por si só, o método registrado. A empresa também informou mecanismos de controle: supervisão humana, verificação aleatória de 15% dos questionários e descarte de entrevistas duvidosas.

Como o eleitor pode identificar uma pesquisa confiável

Antes de acreditar em qualquer número de intenção de voto, o eleitor paraibano pode seguir três passos simples:

  • Verificar se a pesquisa tem número de registro no TSE. Pesquisas sem registro são ilegais e não devem ser divulgadas.
  • Conferir a metodologia: quem encomendou, quem realizou, quantas entrevistas, em quais datas, qual a margem de erro e o nível de confiança. Esses dados são públicos no site do TSE.
  • Desconfiar de pesquisas que circulam apenas em redes sociais, sem divulgação do método completo. Uma pesquisa séria informa como os entrevistados foram selecionados.

A regra que vale para as próximas pesquisas na Paraíba

A decisão do TRE-PB não abre uma porteira para qualquer pesquisa com Instagram e IA. Ela apenas confirma que, se o método estiver detalhado no registro e a empresa apresentar controles de qualidade, o tribunal não interfere. Para o eleitor, o ganho é saber que existe um canal de fiscalização: qualquer cidadão pode consultar o registro e, se identificar irregularidade, denunciar ao Ministério Público Eleitoral ou ao próprio TRE-PB.

Na prática, a pesquisa da Real Time será divulgada na segunda (24). Cabe ao eleitor usar as ferramentas de transparência para decidir se confia ou não no resultado.

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