O rompimento anunciado pela direção do PDT com o governador Lucas Ribeiro (PP) não foi seguido pelo grupo político ligado a Rafaela Camaraense. Em reunião nos bastidores, o segmento comandado pelo ex-deputado Marcos Inácio e pelo prefeito Caio Camaraense decidiu permanecer na base de apoio ao governador, o que criou uma cisão interna na legenda. A movimentação ganhou força nos últimos dias e expõe a autonomia de grupos regionais dentro de partidos nacionais.

O PDT, que indicou Lígia Feliciano como candidata a vice na chapa de oposição, esperava que Rafaela Camaraense fosse o nome da vaga. Lucas Ribeiro, no entanto, a escalou para a coordenação da campanha. Diante da resistência da direção estadual, o grupo de Rafaela preferiu manter o alinhamento com o governador. A decisão redefine o peso eleitoral do PDT na disputa de 2026 e mostra como alianças regionais sobrevivem a divergências nacionais.

Mecanismos internos do PDT: autonomia regional

O estatuto do PDT, disponível no site do partido, estabelece as instâncias de deliberação e as regras para formação de coligações e apoios. Na prática, a estrutura partidária permite que diretórios regionais e grupos com influência local tomem decisões próprias, desde que respeitadas as normas estatutárias. A Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/95) garante autonomia para que os partidos definam sua organização interna, o que abre espaço para que lideranças como Marcos Inácio e Rafaela Camaraense avaliem que o apoio a Lucas Ribeiro é mais vantajoso para seus projetos do que seguir a orientação nacional.

Publicidade

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem jurisprudência que, em certas condições, tolera a divergência em apoio a candidaturas majoritárias se houver autorização da executiva nacional ou estadual. Ainda não se sabe se o grupo de Rafaela buscou esse aval. O que se sabe é que a decisão contraria a posição pública da direção do PDT, representada pelo presidente estadual Carlos Lupe.

Impacto político e legal da divergência

O efeito imediato é que o PDT não vai unificado para a eleição majoritária. O grupo de Rafaela e Marcos Inácio, que detém a maior parte dos votos da legenda na Paraíba, permanece com Lucas Ribeiro. A direção estadual, por sua vez, pode negociar o tempo de TV da legenda com outras candidaturas, como a de Cícero Lucena (PP) ou a de Efraim Filho (PL). A divisão fragiliza a candidatura de Lígia Feliciano, que depende do palanque do PDT para ter capilaridade.

Na esfera legal, a Lei dos Partidos Políticos prevê sanções para membros que desrespeitarem decisões partidárias, como a perda de mandato em caso de desfiliação sem justa causa. Contudo, a divergência em apoio a candidatura majoritária não configura, por si só, infração que leve à perda de mandato, segundo a jurisprudência do TSE. O desfecho dependerá de como a executiva nacional do PDT interpretar o caso e se aplicará punições internas.

O que falta saber: a posição da executiva nacional do PDT

A discussão continua nos bastidores. O grupo de Rafaela Camaraense sustenta que tem legitimidade eleitoral e votos para decidir o rumo do partido no estado. A direção nacional do PDT, que ainda não se manifestou publicamente sobre o caso, terá de escolher entre validar a autonomia regional ou impor disciplina. A resposta da executiva nacional pode definir se o PDT paraibano seguirá dividido ou se haverá uma conciliação até o registro das candidaturas. A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta de Carlos Lupe, mas não conseguiu entrar em contato.

Publicidade