O ex-prefeito de Santa Luzia, Zezé (Republicanos), comemorou nesta terça-feira (4) a pesquisa do Instituto Seta que o coloca empatado com outros 13 nomes na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa da Paraíba, todos com 0,8% das intenções de voto. O levantamento, feito entre 25 e 27 de julho com 1.500 eleitores, tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais e 95% de confiança.

O resultado levanta mais perguntas do que respostas sobre a real força eleitoral do ex-prefeito. O principal problema é que não há informações públicas disponíveis sobre o histórico de acertos e erros do Instituto Seta em eleições anteriores na Paraíba, um dado necessário para calibrar o peso de qualquer pesquisa. O instituto, fundado em 2009 e dirigido pelo cientista político Daniel Menezes, atua no Nordeste, mas não foi possível verificar, com base nos dados disponíveis, se seus levantamentos passados acertaram ou erraram os resultados finais de disputas estaduais.

Por que isso importa para o paraibano: uma pesquisa com 0,8% de intenção de voto e margem de 2,5 pp pode significar que o candidato tem entre 0% e 3,3% das intenções, ou seja, o empate com outros 13 nomes pode ser apenas um artefato estatístico.

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Metodologia: o que o leitor deve observar

Para interpretar qualquer pesquisa eleitoral, o leitor precisa de três informações básicas, todas exigidas pela Resolução nº 23.600/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): o registro no sistema do TSE (neste caso, PB-01909/2026), o período de coleta e a margem de erro. A resolução também obriga a divulgação do contratante e do nível de confiança.

A pesquisa do Instituto Seta informa os dados obrigatórios, mas não detalha, por exemplo, se os 1.500 eleitores foram distribuídos proporcionalmente por região, porte de município ou perfil socioeconômico. Esse tipo de detalhamento não é obrigatório na divulgação, mas é relevante para avaliar a representatividade. A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) tem um código de conduta com boas práticas nesse sentido, mas a adesão é voluntária.

Zezé entre os demais: o que o empate revela

O ex-prefeito aparece com 0,8%, empatado com outros 13 candidatos. Isso significa que, dentro da margem de erro, todos podem ter de 0% a 3,3% das intenções de voto. O levantamento não informa os nomes desses outros 13 concorrentes, nem seus partidos ou coligações, o que impede uma comparação direta com candidatos do mesmo partido (Republicanos) ou de aliados.

A matéria original cita que Zezé tem bases em cerca de 50 municípios paraibanos, fruto de oito anos como prefeito de Santa Luzia (2017-2024). Esse dado de capilaridade é um indicador de força eleitoral potencial, mas não se reflete em números de intenção de voto na pesquisa, o que sugere que o trabalho de base pode ainda não ter se convertido em lembrança de voto espontânea ou estimulada.

Impactos na estratégia dos demais candidatos

A divulgação de uma pesquisa com 0,8% e margem de 2,5 pp tem efeito limitado sobre a estratégia dos concorrentes. Em disputas majoritárias, números baixos e com alta margem de erro costumam ser ignorados por campanhas mais estruturadas. O que pode ocorrer é o uso político do dado: Zezé já declarou que o resultado “demonstra o crescimento” da pré-candidatura, mas o valor absoluto é baixo para influenciar decisões de alianças ou de investimento de recursos.

O principal impacto prático é na percepção do próprio candidato e de seus apoiadores, que podem usar a pesquisa como combustível de mobilização. Para os demais postulantes, o dado não altera o cenário, a menos que novas pesquisas com metodologias diferentes ou amostras maiores mostrem tendência consistente de crescimento.

O que a pesquisa deixa de fora sobre a disputa na ALPB

Sem um histórico de acertos do Instituto Seta, sem o detalhamento da amostra e sem a comparação com outros candidatos do mesmo espectro político, a pesquisa serve como um termômetro momentâneo, mas não permite conclusões sólidas sobre a viabilidade de Zezé. O que está em jogo é a credibilidade do dado: o eleitor paraibano precisa saber que 0,8% com margem de 2,5 pp é um número frágil, e que a comemoração do ex-prefeito pode ser mais um gesto político do que um sinal de força real.

A redação do Alerta Paraíba tentou contato com o Instituto Seta sobre o histórico de acertos em eleições anteriores, mas não conseguiu resposta.

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