A Justiça da Paraíba aceitou a denúncia do Ministério Público contra o delegado Braz Morroni, os agentes Everton Aires e Eduardo Jorge e outros cinco investigados, todos agora réus na Operação Perfidus. O caso expõe a suspeita de que policiais civis faziam parte de uma organização criminosa armada, com atuação no desvio de carregamentos de drogas de facções rivais para revenda. O recebimento da denúncia, assinado na terça-feira (25), dá início formal à ação penal.

A informação foi publicada pelo portal NewsPB nesta quarta-feira (26). Para o leitor paraibano, o caso importa porque mexe diretamente na credibilidade da Polícia Civil, corporação responsável pela investigação criminal no estado, e levanta dúvidas sobre os mecanismos de controle interno da segurança pública.

O que muda na prática para os policiais réus

Com a denúncia aceita, os oito investigados passam à condição formal de réus. Isso não significa, por si só, afastamento automático do cargo, suspensão ou perda da função pública. A ação penal é o processo judicial que vai apurar as acusações e, ao fim, pode ou não resultar em condenação.

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A matéria original não informa se a Polícia Civil ou a Secretaria de Segurança da Paraíba já adotaram medidas administrativas, como afastamento preventivo, contra o delegado ou os agentes. A Justiça determinou a prisão preventiva do delegado e dos agentes, que foram alvos de mandados durante a operação. A decisão judicial determinou o afastamento das funções públicas dos policiais envolvidos como medida cautelar.

O que diz a denúncia do MP

A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba. Segundo o MP, os investigados são suspeitos de integrar uma organização criminosa armada que tinha como principal atividade a apropriação e o desvio de carregamentos de drogas de facções rivais. Os entorpecentes seriam depois reinseridos no comércio ilegal.

O grupo também é acusado de lavagem de dinheiro. O grupo usou mecanismos para dissimular a origem dos valores obtidos com as atividades criminosas. A denúncia não especifica, nos trechos divulgados, quais crimes foram imputados individualmente a cada um dos oito réus.

O que está em jogo para a segurança pública da PB

A Operação Perfidus coloca sob suspeita justamente quem deveria combater o crime organizado. A ação penal em curso testa a capacidade de a própria corporação e da Secretaria de Segurança reagirem com medidas internas, como processos administrativos disciplinares, que podem correr em paralelo ao processo judicial.

A Polícia Civil da Paraíba informou que colabora com as investigações e instaurou procedimentos administrativos na Corregedoria. A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta das instituições, mas não conseguiu entrar em contato. O desenrolar da ação penal e eventuais desdobramentos administrativos vão definir se o caso fica restrito aos oito réus ou se abre uma crise maior de confiança na segurança pública paraibana.

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