A Justiça da Paraíba tornou réus o delegado Braz Morroni e outros sete investigados na Operação Perfidus, deflagrada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB). O grupo é acusado de integrar uma organização criminosa que desviava carregamentos de drogas de facções rivais e os revendia, além de lavar o dinheiro obtido. A decisão, assinada na terça-feira (25), mantém a prisão preventiva de sete deles.

A denúncia do Gaeco aponta que os policiais usavam a estrutura do Estado, viaturas, acessos e informações sigilosas, para favorecer o tráfico, segundo o g1. A defesa de Eduardo Jorge, um dos réus, afirma que ainda não teve acesso integral às provas e questiona a paridade de armas. As defesas dos demais acusados não se manifestaram até a última atualização da reportagem.

Para o paraibano, o caso revela uma tensão direta: a instituição responsável por investigar e prender criminosos está sendo acusada de se aliar a eles. O episódio expõe fragilidades nos mecanismos de controle interno e externo da corporação.

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O esquema revelado pela Perfidus

Segundo o MPPB, o delegado Braz Morroni exercia papel de liderança no grupo. O agente Everton Aires articulava a ponte entre policiais e facções; Eduardo Jorge usava viaturas oficiais para retirar drogas de depósitos. Outros integrantes atuavam no refino, adulteração e distribuição de crack e cocaína na Região Metropolitana de João Pessoa. A organização também é acusada de lavar ao menos R$ 10 milhões, valor bloqueado pela Justiça.

O nome da operação, Perfidus, significa traição ou deslealdade. A ação penal agora segue para a fase de instrução, com prazo de 10 dias para as defesas apresentarem resposta.

Desvios anteriores: o que os números mostram

Entre 2020 e 2025, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil da Paraíba instaurou 142 procedimentos disciplinares contra policiais civis. Desses, 38 resultaram em punições de suspensão ou demissão, segundo dados da própria corregedoria. Não há, porém, informação pública sobre quantos casos tiveram desfecho judicial, o que indica que a maioria é tratada internamente, sem transparência para a sociedade.

Em 2024, o Disque-Denúncia da Paraíba registrou 1.242 denúncias anônimas contra policiais civis. Desse total, 31% estavam relacionadas a corrupção ou desvio de conduta. Os números sugerem que o problema é estrutural.

Mecanismos de controle: o que existe e o que falta

Atualmente, a atividade policial no estado é fiscalizada por três instâncias principais: a Corregedoria-Geral da Polícia Civil (controle interno), o Ministério Público (controle externo) e, desde 2023, o Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial (Nuceap), criado pelo MPPB para acompanhar ações de policiais civis e militares.

O caso Perfidus, se comprovado, mostra que a fiscalização não impediu que um delegado com mais de 20 anos de carreira de suposto envolvimento em um esquema criminoso. Porém, a investigação da própria Polícia Civil demonstra que a instituição está disposta a punir quaisquer desvios de conduta de seus membros.

A Lei Federal 13.869/2019, que pune abuso de autoridade, também poderia ser aplicada, mas sua utilização ainda é alvo de debates no Judiciário paraibano. A decisão de tornar o delegado réu não garante condenação nem reforma na instituição.

O legado da Perfidus para a segurança pública na PB

O que está em jogo é a credibilidade da Polícia Civil da Paraíba. O caso Perfidus não é o primeiro, e provavelmente não será o último, a revelar desvios internos, mas sua dimensão, com envolvimento de um delegado e uso de viaturas oficiais, força a discussão sobre os limites do controle interno e a necessidade de uma auditoria independente.

A ação penal em andamento pode, ao menos, obrigar a transparência dos procedimentos e forçar a Corregedoria a revisar seus métodos. Mas enquanto o processo não avança, o cidadão segue sem garantias concretas de que a polícia que o protege não está do outro lado da lei.

A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta de Braz Morroni e Everton Aires, mas não conseguiu entrar em contato.

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