O candidato ao Senado pelo Partido Novo, Major Fábio, declarou neste domingo (2) que é o “segundo nome da direita” na disputa pelas duas vagas da Paraíba no Senado Federal em 2026. A afirmação foi feita durante a convenção estadual do Partido Liberal (PL), no Clube Cabo Branco, em João Pessoa, evento que oficializou o ex-ministro Marcelo Queiroga (PL) como o candidato da legenda ao Senado.

Major Fábio tenta se firmar como alternativa conservadora fora do PL, partido que domina o campo da direita no estado e já tem seu próprio nome na disputa. A informação foi publicada pelo portal Fonte83.

A eleição para o Senado em 2026 terá duas vagas em jogo, a maior renovação da bancada federal do estado desde 2014. A fragmentação da direita entre PL e Novo pode ampliar as opções do eleitor conservador ou pulverizar votos e beneficiar candidatos de outros campos.

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Os nomes da direita na disputa

Até o momento, a direita paraibana tem pelo menos dois pré-candidatos declarados ao Senado: Marcelo Queiroga, pelo PL, e Major Fábio, pelo Novo. Não há, até o dia 2 de agosto, outros nomes consolidados publicamente nesse espectro. O PL, maior partido de direita do estado, não indicou apoio a Major Fábio, pelo contrário, oficializou Queiroga como seu único candidato ao Senado.

Major Fábio justificou sua presença na convenção do PL como um gesto de cortesia ao senador Efraim Filho (PL), candidato ao Governo da Paraíba, com quem já dividiu partido. “Formalmente não estava aqui, eu subi apenas agora para cumprimentar Efraim”, disse. E reafirmou: “O sangue pode dar no meio da canela, eu sou candidato a senador.”

O que o histórico do Partido Novo indica

Um dado concreto pesa contra a viabilidade da candidatura de Major Fábio: o desempenho eleitoral do Partido Novo na Paraíba. Nas eleições de 2022, a legenda obteve 0,83% dos votos válidos para deputado federal no estado, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O Novo não elegeu nenhum representante para a Câmara dos Deputados nem para a Assembleia Legislativa naquela eleição.

Isso significa que Major Fábio parte de uma base partidária praticamente inexistente no estado. Sua projeção depende de transferência de votos de fora da estrutura do partido, por alianças informais ou apelo pessoal. O candidato, que foi deputado estadual entre 2008 e 2012, não tem mandato eletivo atualmente.

Alianças e o palanque do PL

A convenção do PL reuniu lideranças nacionais e estaduais, como o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e o deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL). O evento consolidou a chapa majoritária do partido: Efraim Filho ao governo e Nayana Pontes (PL) como vice. Marcelo Queiroga é o nome do PL ao Senado.

Major Fábio não foi oficializado nem citado como parte da chapa. Sua declaração de que é o “segundo nome da direita” é uma tentativa de se colocar como opção paralela, não como integrante da aliança. Resta saber se o eleitorado conservador paraibano vai enxergá-lo como complemento a Queiroga ou como um terceiro nome que divide o mesmo campo.

O teste que espera Major Fábio até o registro

O prazo final para o registro de candidaturas nas eleições de 2026 é 15 de agosto, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até lá, Major Fábio precisa demonstrar que sua candidatura tem viabilidade eleitoral, seja por meio de pesquisas, apoios políticos ou capacidade de construir uma base própria.

O ponto em aberto é se o PL, que domina a máquina e o tempo de rádio e TV da direita na Paraíba, vai tolerar ou combater a candidatura avulsa do Novo. Sem o apoio do partido de Bolsonaro e de Efraim Filho, Major Fábio terá de provar que sua autoproclamação como “segundo nome da direita” não é apenas retórica, mas corresponde a uma força real nas urnas.

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