O Democracia Cristã (DC) vai oficializar, nesta segunda-feira (3), o produtor rural Pedro Coutinho como pré-candidato ao governo da Paraíba. O partido, que não elegeu nenhum deputado federal ou estadual no estado em 2022 e tem representação nacional mínima (um deputado federal e nenhum senador), aposta numa candidatura própria num estado historicamente polarizado.
A convenção está marcada para as 9h no Hotel Verde Green, na orla de João Pessoa. O movimento do DC, porém, levanta uma questão prática: um partido sem base eleitoral consolidada na Paraíba consegue furar a polarização entre os grupos tradicionais? Os dados disponíveis ajudam a dimensionar o desafio.
O peso do DC nas urnas paraibanas
Nas eleições de 2022, o Democracia Cristã não elegeu deputado federal nem estadual pela Paraíba, com votação inexpressiva para os cargos majoritários, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em nível nacional, o partido tem hoje um deputado federal e nenhum senador, de acordo com a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Ou seja, a legenda parte de uma base muito pequena para construir uma campanha ao governo.
A legislação eleitoral exige que as convenções partidárias ocorram entre 20 de julho e 5 de agosto do ano eleitoral para deliberar sobre coligações e escolher candidatos, conforme o calendário do TSE. O DC cumpre o prazo, mas a decisão de lançar candidatura própria, em vez de coligar com um dos palanques majoritários, pode mudar a disputa.
Como a candidatura mexe com as chapas majoritárias
A Paraíba tem histórico de polarização entre dois grupos políticos, com eleições majoritárias decididas por margens apertadas, mostra o Atlas Político. A entrada de um terceiro nome, ainda que de um partido pequeno, pode fragmentar votos e alterar a conta de quem chega ao segundo turno.
Não há, até o momento, informação pública sobre alianças do DC com outros partidos para a majoritária. A convenção de segunda-feira pode esclarecer se o DC vai tentar compor chapa com outro candidato ou se Pedro Coutinho disputará com candidato a vice próprio. A expectativa é que o partido também homologue as candidaturas proporcionais (deputado estadual e federal).
Os obstáculos de Pedro Coutinho
O principal desafio de Pedro Coutinho é tornar uma candidatura de partido nanico competitiva. Sem tempo de televisão expressivo (o tempo de propaganda eleitoral é proporcional ao tamanho da bancada federal), sem estrutura de cabos eleitorais consolidada e sem votos recentes no estado, ele precisará de capital político e financeiro para se viabilizar.
A matéria original não detalha propostas centrais de Pedro Coutinho além de menções genéricas ao “desenvolvimento da Paraíba” e ao “setor produtivo”. Não há, portanto, elementos públicos para comparar suas ideias com as de outros pré-candidatos já anunciados. Não se sabe se ele conseguirá atrair eleitores por plataforma ou se ficará restrito a redutos de apoiadores pessoais.
O que a convenção de segunda-feira pode revelar
A convenção do DC será o primeiro teste real de viabilidade da candidatura. A presença de lideranças regionais, a definição da chapa proporcional e o tom do discurso de Pedro Coutinho darão pistas sobre se o partido pretende ser um terceiro polo ou apenas um participante simbólico.
A polarização histórica da Paraíba exige que o candidato consiga capturar descontentamento com as opções tradicionais. Até agora, não há evidência de que Pedro Coutinho tenha esse capital. Resta saber se sua candidatura será um fator de desequilíbrio ou apenas mais um nome na urna.




