O partido Agir oficializou, no último sábado (1º), apoio à pré-candidatura do governador Lucas Ribeiro (PP) à reeleição e de João Azevêdo (PSB) ao Senado nas eleições de 2026. O anúncio foi feito durante convenção estadual do partido em João Pessoa, conforme registrado em vídeo publicado no canal TV Arapuan.
O movimento ocorre durante a definição de alianças na Paraíba. Enquanto o Agir fecha com a chapa governista, o Partido Verde (PV) oficializou apoio à pré-candidatura do ex-prefeito Cícero Lucena (PP) ao governo. A decisão cria impasse com PT e PCdoB. A decisão do Agir de não lançar candidaturas próprias para a Câmara Federal ou Assembleia Legislativa. Ao focar apenas na chapa majoritária, a legenda aposta em ganhar musculatura política por meio de alianças, não de votos próprios.
Qual o peso do Agir na Paraíba?
O Agir (antigo PTC) é um partido de pequeno porte. Em 2022, elegeu um deputado federal e um senador, além de alguns deputados estaduais e vereadores pelo país, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na Paraíba, a legenda conquistou uma cadeira na Câmara de Vereadores de João Pessoa nas últimas eleições municipais.
O apoio do Agir à chapa de Lucas Ribeiro e João Azevêdo vale mais pelo peso político do que pelo número de votos. Em um estado com 223 municípios, o suporte de partidos menores pode ajudar na capilaridade da campanha, especialmente em cidades do interior onde lideranças locais têm influência direta sobre o eleitorado, conforme dados do IBGE. A decisão do Agir de não disputar o legislativo também libera tempo de rádio e TV e recursos do fundo eleitoral para a chapa majoritária, o que é um ganho concreto.
O contraste com o movimento do PV
O apoio do Agir contrasta com o do PV, que oficializou apoio a Cícero Lucena. O presidente estadual do PV, Sargento Denis, afirmou que levará o nome de Lucena à convenção estadual e buscará liberação para campanha pelo MDB. O impasse expõe uma divisão entre partidos que, em tese, estariam na base de Lucas Ribeiro.
Enquanto o Agir reforça a chapa governista, o PV sinaliza que pode caminhar com a oposição. A base de apoio do atual governador não é monolítica e as alianças ainda podem mudar até o registro oficial das candidaturas. O PT e o PCdoB, aliados de Lucas Ribeiro, agora precisam administrar o desgaste com o PV.
O que está em jogo para as chapas majoritária e proporcional
A legislação eleitoral permite que partidos formem federações, o que impacta diretamente a distribuição de tempo de rádio e TV e o acesso ao Fundo Partidário e Eleitoral. A opção do Agir de não lançar candidatos próprios para o legislativo pode indicar uma estratégia de fortalecer a chapa majoritária e, no futuro, buscar acordos em federações.
Para Lucas Ribeiro, cada apoio de partido pequeno conta como demonstração de força política, mas não garante votos. O desafio real será transformar essas alianças em votos nas urnas, especialmente diante de uma oposição que já tem candidaturas definidas: Efraim Filho (PL) ao governo, com Naelana Gomes como vice, e Marcelo Queiroga ao Senado. O PL realizou convenção no domingo (2) no Esporte Clube Cabo Branco, com a presença do senador Flávio Bolsonaro.
O teste que a base de Lucas Ribeiro enfrenta com o PV
O apoio do Agir é um alívio para a chapa governista, mas não resolve o impasse com o PV. A decisão do PV de apoiar Cícero Lucena pode abrir uma crise dentro da base aliada e forçar o governador a negociar com partidos que hoje estão formalmente ao seu lado. Está em jogo a capacidade de Lucas Ribeiro de manter unida uma frente que parece mais frágil do que o discurso oficial sugere.
A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta do PV sobre o impasse com PT e PCdoB, mas não conseguiu entrar em contato.




