O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino (Republicanos), disse não duas vezes ao governo do estado. As recusas foram para compor como vice-governador na chapa encabeçada pelo governador Lucas Ribeiro (PP) nas eleições de 2026. A informação foi revelada pelo programa Ô Paraíba Boa, da FM 100.5, nesta segunda-feira (3).
A negativa expõe uma fissura na articulação da base aliada. Galdino, que comanda o Legislativo estadual e tem bancada expressiva do Republicanos na Assembleia, não aceitou as condições impostas nas duas propostas. Na primeira, ele teria que abrir mão de cerca de 30 mil votos da sua base eleitoral para fortalecer outros candidatos a deputado estadual, enquanto sua filha, a médica Adriana Galdino, disputaria uma vaga na Assembleia. Na segunda tentativa, o governo ofereceu o comando da Assembleia, mas condicionou a Galdino abrir mão de um dos biênios da presidência da Casa. Nos dois casos, a resposta foi negativa, segundo o programa.
O que a recusa de Galdino significa para a chapa governista
A recusa de Adriano Galdino não encerra as negociações, mas muda o tom delas. O Republicanos, partido de Galdino, tem bancada expressiva na Assembleia Legislativa. Ter o presidente do Legislativo na chapa daria ao governo um trunfo de articulação e capilaridade eleitoral. Sem ele, o governador Lucas Ribeiro precisa buscar alternativas que mantenham o equilíbrio de forças entre os partidos da base.
O fato de Galdino ter dito não duas vezes indica que ele não está disposto a negociar o controle do seu grupo político por um cargo majoritário. A primeira proposta, que exigia a transferência de votos para outros candidatos, atingia diretamente a espinha dorsal do poder eleitoral de Galdino. A segunda, que mexia na presidência da Assembleia, tocava no comando da máquina legislativa. Em ambos os casos, o custo político para Galdino era maior que o ganho de ser vice.
Opções para a vice-governadoria após o não de Galdino
Com a negativa de Adriano Galdino, o governo precisa explorar outros nomes para compor a chapa. A Lei Eleitoral (Lei nº 9.504/97) estabelece prazos para registro de candidaturas e formação de coligações, o que dá algum fôlego para as articulações, mas não muito. As opções na base incluem nomes de partidos aliados que possam agregar votos sem exigir o mesmo custo político que Galdino impôs.
A recusa também pode reabrir o debate sobre a composição da chapa com outras legendas. O Republicanos, mesmo sem o vice, continua sendo um aliado estratégico no Legislativo. A questão agora é se o governo conseguirá costurar um acordo que mantenha o partido na base sem a vice-governadoria, ou se a negativa de Galdino abrirá espaço para que outras forças políticas, como o PT ou partidos do centrão, reivindiquem o posto.
A conta que a base aliada ainda vai ter de pagar
O que está em jogo é a capacidade do governo Lucas Ribeiro de manter a unidade da base até o registro das candidaturas. A recusa de Adriano Galdino mostra que cada partido vai cobrar seu preço. O governo já ouviu dois nãos. Um terceiro nome pode surgir, mas a negativa do presidente da Assembleia expõe a fragilidade da articulação. A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta de Adriano Galdino, mas não conseguiu entrar em contato.


