O Grupo de Pesquisa São Judas Tadeu Ltda., conhecido como Instituto TDL, divulgou nesta quarta-feira (9) uma pesquisa eleitoral sobre o cenário político da Paraíba, registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), sob o número PB-02357/2026.
O levantamento chega ao estado no momento em que o instituto carrega um dos piores históricos de credibilidade entre empresas de pesquisa do Nordeste: condenação judicial, multa de R$ 53 mil, pedido de investigação criminal pelo Ministério Público Federal e acusação formal de emissão de nota fiscal fraudulenta.
A coincidência partidária não é acidental. O Instituto TDL pertence a Nilton Tadeu Lira Neto — primo de Arthur Lira, ex-presidente da Câmara dos Deputados e uma das maiores lideranças do Progressistas (PP) no Brasil. O instituto tem como sócia também Elza Maria Rabelo Lira.
Na Paraíba, o principal beneficiado pelos números da pesquisa é o governador Lucas Ribeiro, que é do mesmo PP — o partido da família Lira. O padrão se repete: o instituto da família produz números favoráveis a correligionários do Progressistas. No Estado, o governador aparece com 32%, seguido do ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), com 25%, e do senador Efraim Filho (PL), que surge com 18%.
O escândalo em Alagoas
A crise de credibilidade do Instituto TDL explodiu em junho de 2026, quando a empresa registrou no sistema de pesquisas do TSE a consulta nº AL-04608/2026, que colocava o ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), na liderança da disputa pelo Governo de Alagoas com 52% das intenções de voto, contra 37% de Renan Filho (MDB).
O problema: a empresa R B Dantas Ltda. (Coagro), de Arapiraca, indicada no registro oficial como contratante e responsável pelo pagamento de R$ 47 mil, registrou boletim de ocorrência revelando não ter contratado qualquer pesquisa.
“A emissão de um documento fiscal sem o devido lastro contratual, sem prestação de serviço e sem o consentimento da tomadora configura uma grave infração fiscal, mercantil e civil. (…) Não realizou nem realizará nenhum pagamento referente a esta nota.”
Diante do escândalo, o Ministério Público Federal se manifestou por meio do procurador eleitoral auxiliar Marcelo Jatobá Lôbo. Em parecer encaminhado ao TRE-AL, o MPF apontou que o Instituto TDL não apresentou contrato, comprovantes de pagamento ou qualquer documento que demonstrasse a efetiva contratação da pesquisa.
Em decisão publicada em 9 de julho de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas julgou parcialmente procedente a representação ajuizada pelo MDB e declarou irregular o registro da pesquisa. O desembargador eleitoral Leo Dennisson Bezerra de Almeida determinou que o levantamento fosse considerado “não registrado”, proibiu novas divulgações e aplicou multa de R$ 53.205 ao Instituto TDL.
A sentença concluiu que a ausência de contrato específico, autorização para emissão da nota fiscal ou comprovante de pagamento comprometeu a transparência exigida pela legislação eleitoral. O magistrado também determinou o envio de cópia dos autos ao Ministério Público Eleitoral para avaliação de medidas criminais.
O padrão se repete na Paraíba
Agora, o mesmo instituto chega à Paraíba com uma pesquisa registrada (PB-02357/2026) que apresenta números sobre o cenário eleitoral do estado — onde o governador Lucas Ribeiro, do Progressistas (PP), busca a reeleição. A conexão é evidente: Arthur Lira e o PP têm interesse direto no sucesso eleitoral de Lucas Ribeiro, e o instituto da família Lira surge produzindo números no exato momento em que a disputa se acirra.
O eleitorado paraibano e a Justiça Eleitoral do estado devem estar atentos. A empresa que teve pesquisa anulada por nota fiscal falsa e que é alvo de investigação criminal do MPF, não pode ter seus números aceitos sem o mais rigoroso escrutínio.
A pergunta que se impõe é: quem realmente pagou pela pesquisa na Paraíba? E a serviço de quem ela foi produzida?
Cronologia dos escândalos do Instituto TDL
| Data | Fato |
| Setembro de 2024 | Metrópoles revela que empresa da família Lira lucra com campanhas de parentes e aliados em AL |
| Maio de 2026 | TDL registra pesquisa em AL apontando JHC (PSDB) na liderança com 51% |
| Junho de 2026 | Segunda pesquisa TDL reforça JHC com 52%; dados divulgados pelo Poder360 |
| 26 de junho de 2026 | R B Dantas (COAGRO) publica nota negando ter contratado a pesquisa e denuncia nota fiscal falsa |
| 27 de junho de 2026 | TRE-AL dá 24 horas para TDL comprovar contratação; instituto não apresenta documentos |
| 27 de junho de 2026 | Consultor Eugênio Albuquerque relembra histórico de erros e questiona credibilidade |
| 8 de julho de 2026 | MPF pede multa máxima, anulação da pesquisa e investigação criminal |
| 9 de julho de 2026 | TRE-AL condena TDL: pesquisa anulada, multa de R$ 53.205 e proibição de divulgação |
| 9 de julho de 2026 | Instituto TDL divulga pesquisa na Paraíba (PB02357/2026) favorecendo Lucas Ribeiro (PP) |




