O presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos), e o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) selaram um alinhamento na campanha após uma reunião na quinta-feira (20) para superar os “arranhões” causados pela escolha do candidato a vice-governador. O episódio, porém, não foi apenas um desentendimento pessoal: o calendário eleitoral e as regras legais para registro de candidaturas impuseram prazos apertados que podem ter limitado a margem de negociação e gerado frustração entre aliados.
Galdino admitiu que faltou diálogo no processo e que alguns colegas ficaram frustrados, mas afirmou que a conversa foi esclarecedora entre “dois amigos”. A partir de sexta-feira (21), ele já participa de uma série de atividades políticas no Estado em apoio ao vice-governador.
O que a lei diz sobre o prazo para escolha de vice
De acordo com o calendário eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o prazo para registro de candidaturas nas Eleições 2024 foi até 15 de agosto. As convenções partidárias para escolha de candidatos, por sua vez, deveriam ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto, conforme a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997).
Como a reunião entre Galdino e Lucas ocorreu em 20 de junho, a decisão sobre o vice já havia sido tomada antes. O calendário apertado, no entanto, pode ter pressionado as negociações nas semanas anteriores.
Como as regras de coligação podem ter limitado opções
A mesma lei eleitoral estabelece que as coligações para eleições majoritárias (governador e vice) devem ser formadas até a data das convenções. Isso significa que o vice-governador Lucas Ribeiro precisava fechar a chapa com o vice dentro do curto intervalo de 20 de julho a 5 de agosto. A escolha de um nome que agradasse a todos os partidos da base, especialmente o Republicanos, de Galdino, ficou sujeita a esse prazo legal.
O TCU também possui norma que exige transparência na prestação de contas de partidos políticos, o que pode ter impactado acordos de coligação ao exigir maior formalização financeira, mas não há informações sobre se isso influenciou diretamente o caso.
O que está em jogo com o alinhamento fechado
Com o alinhamento público, a campanha de reeleição de Bruno Cunha Lima ganha a participação ativa de Galdino, que é um dos principais articuladores do Republicanos na Paraíba. A insatisfação de parte dos aliados, no entanto, não foi resolvida, apenas contornada pelo diálogo. A escolha do vice, que gerou os “arranhões”, continua sendo um ponto sensível na base governista e pode ressurgir durante a campanha.
A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta de Lucas Ribeiro, mas não conseguiu entrar em contato.




