O governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), decidiu não participar de debates e entrevistas no período pré-eleitoral. A medida espelha táticas usadas por Jair Bolsonaro e Fernando Collor em campanhas passadas para evitar a exposição. A ausência mais recente ocorreu nesta terça-feira (8), quando o gestor cancelou de última hora sua ida à Rádio Nova Brasil João Pessoa.
A equipe de campanha inicialmente alegou que a emissora havia alterado a ordem das entrevistas. Após o desmentido da rádio, aliados justificaram que o pré-candidato à reeleição só comparecerá a debates após o registro oficial das candidaturas. A manobra revela uma clara tentativa de evitar o desgaste antecipado perante o eleitorado paraibano.
Nos bastidores, o veto às entrevistas parte da própria equipe de marketing, liderada pelo publicitário Juarez Guedes. O foco é manter o governador apenas em ambientes controlados, maquiando sua falta de posicionamento sobre temas sensíveis do estado. Entre os assuntos sistematicamente evitados estão as ligações do banqueiro Daniel Vorcaro com lideranças do PP e a continuidade da cobrança da taxa das blusinhas, recentemente extinta pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Para evitar o contato direto com jornalistas, a campanha também retirou Lucas Ribeiro das agendas de rua. O tempo vago será destinado ao treinamento do candidato para os futuros embates contra Cícero Lucena (MDB) e Efraim Filho (PL), adversários diretos que têm comparecido a todas as sabatinas para as quais são convidados.
O isolamento do governador remete diretamente à campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018, quando o candidato foi preservado de exposições que pudessem gerar prejuízos eleitorais. Naquela eleição, a proximidade com a ditadura militar era vista como uma grande vulnerabilidade para a chapa.
No caso de Lucas Ribeiro, a preocupação recai sobre o pesado histórico familiar durante os anos de chumbo. Seu avô, Aguinaldo Veloso Borges, é frequentemente associado ao Grupo da Várzea, apontado como responsável pelas mortes dos líderes camponeses Margarida Maria Alves e João Pedro Teixeira, fantasmas políticos que a campanha tenta a todo custo manter longe dos microfones.
A recusa em debater ideias expõe uma tentativa de blindagem que testará a paciência do eleitorado. Enquanto Cícero Lucena e Efraim Filho ocupam os espaços nas emissoras de rádio e TV para apresentar propostas e demarcar território, a cadeira vazia de Lucas Ribeiro envia uma forte mensagem de insegurança.
O grande desafio do marketing governista será sustentar esse isolamento sem que a imagem do governador seja definitivamente associada à fuga do escrutínio público.




