Pela segunda vez em menos de um mês, a Paraíba está no centro de uma operação federal contra o mercado de apostas esportivas. A Operação Jogo de Sombras, deflagrada nesta sexta-feira (28) pela Receita Federal e pelo Ministério Público Federal, cumpre mandados de busca e apreensão em João Pessoa, Recife e São Paulo. O alvo é um grupo empresarial que, segundo a investigação, movimentou mais de R$ 5 bilhões entre 2020 e 2023.

A repetição das ações no estado, a Operação Integration ocorreu em 4 de setembro, com mandados em João Pessoa, Campina Grande e Serra Branca, levanta uma questão central: por que a Paraíba se tornou um epicentro de suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro ligadas às bets? A resposta ainda não está clara, mas os fatos apontam para a presença de empresas de apostas com origem no estado e para a fragilidade da regulação que permitiu que grupos autorizados seguissem operando sob suspeita.

O que se sabe sobre a Operação Jogo de Sombras

A investigação mira um grupo que, de acordo com a Receita Federal, teria usado uma empresa de fachada registrada em Curaçao, no Caribe, para simular que a operação da plataforma de apostas ocorria fora do Brasil antes da regulamentação do setor. Os suspeitos também são investigados por usar “contas-bolsão” em fintechs e operações financeiras estruturadas para transferir recursos entre o Brasil e o exterior.

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Ao todo, foram expedidos seis mandados de busca e apreensão. Não houve prisões. A Receita Federal instaurou 11 procedimentos fiscais e estima uma recuperação potencial de R$ 300 milhões aos cofres públicos, caso as irregularidades sejam confirmadas. A operação mobiliza 28 servidores da Receita, dez procuradores da República, policiais do MPF e peritos.

O nome da empresa investigada não foi divulgado oficialmente. A Folha de S.Paulo informou que o alvo é o grupo NSX, proprietário da Betnacional. Até a publicação, não havia informação sobre quem foi alvo do mandado cumprido em João Pessoa.

A conexão com a Operação Arena e o que isso revela

A Jogo de Sombras ocorre 15 dias após a Operação Arena, que mirou a Esportes da Sorte, empresa com atuação regional, e autorizou o sequestro de R$ 2,1 bilhões. As duas operações investigam suspeitas semelhantes, sonegação, evasão de divisas e lavagem, e ambas passaram pela Paraíba. A Receita classificou a Jogo de Sombras como a segunda operação de grande porte em conjunto com o MPF especificamente para apostas de quota fixa.

No entanto, não há até agora informação oficial de que os casos façam parte da mesma investigação ou tenham conexão entre os alvos. O que se sabe é que o grupo alvo da Jogo de Sombras obteve autorização para atuar legalmente no mercado de apostas a partir de 2025, mas há indícios de que a exploração já ocorria antes da regulamentação, sem tributos. Isso indica que a regulação, sozinha, não foi suficiente para coibir irregularidades.

Para o consumidor paraibano, o risco é prático: plataformas investigadas podem ter contas bloqueadas ou problemas de liquidez, além de dificuldades para rastrear o dinheiro dos apostadores em caso de fraude. Para a arrecadação estadual, a recuperação potencial de R$ 300 milhões (somada ao sequestro de R$ 2,1 bilhões da Operação Integration) mostra o tamanho da sonegação que pode estar ocorrendo.

O que está em jogo para a Paraíba

A repetição de operações no estado expõe duas coisas: a concentração de empresas de apostas com raízes locais e a incapacidade do sistema de regulação de evitar que grupos autorizados continuem operando sob suspeita. A identidade do alvo em João Pessoa ainda não foi revelada, e a Receita promete novos detalhes em coletiva de imprensa ainda nesta sexta.

Enquanto isso, a pergunta que fica é se a Paraíba se tornou um laboratório de investigações ou apenas um reflexo de um setor que cresceu rápido demais para ser fiscalizado a tempo. A resposta, por enquanto, depende do que os próximos procedimentos fiscais e as conexões entre as operações vão revelar.

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