Como o dinheiro das apostas esportivas era enviado para o exterior e voltava ao Brasil com aparência de origem lícita? A Operação Arena, deflagrada nesta quinta-feira (13) pela Polícia Federal, Ministério Público da Paraíba e Receita Federal, detalhou o mecanismo usado pelo grupo investigado.

Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados, Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná, e determinado o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens dos suspeitos, segundo o g1. A ação atingiu a sede da empresa de apostas PixBet, em Campina Grande, e a residência do advogado Nelson Wilians, em São Paulo. Para o leitor paraibano, a operação mostra que o esquema tinha ramificação local e que a PF está monitorando o setor de apostas no estado.

O passo a passo da lavagem

De acordo com as investigações, o esquema funcionava em quatro etapas:

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1. O dinheiro arrecadado com apostas esportivas era enviado ao exterior por meio de empresas de compensação financeira.
2. No exterior, os valores eram recebidos por uma empresa de fachada registrada em Curaçao, um paraíso fiscal. A empresa não tinha funcionários nem atividade econômica real.
3. Os sócios dessa empresa emitiam notas fiscais falsas. As notas fiscais falsas justificavam pagamentos por serviços que nunca foram prestados.
4. Com essas notas, o dinheiro retornava ao Brasil como pagamento por supostos serviços contratados fora do país. Assim, os recursos passavam a ter aparência de origem lícita e voltavam ao patrimônio da própria empresa ou dos sócios.

A PF aponta que o esquema pode comprovar crimes como sonegação de impostos, desvio de recursos, distorção da concorrência e fortalecimento de organizações criminosas.

Os alvos na Paraíba

A sede da PixBet, em Campina Grande, foi alvo de mandados de busca e apreensão. A casa de um homem apontado como laranja do grupo também foi vasculhada, a identidade dele não foi divulgada. A PixBet não respondeu aos contatos da reportagem até a última atualização.

O advogado Nelson Wilians também é alvo da operação. Agentes federais cumprem mandado de busca e apreensão na mansão dele em São Paulo, por decisão da Justiça da Paraíba. A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta de Nelson Wilians, mas não conseguiu entrar em contato.

Os suspeitos podem responder por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o sistema financeiro nacional.

O que a operação significa para o paraibano

A Operação Arena mostra que a PF e o MPPB estão investigando o mercado de apostas esportivas no estado, especialmente em Campina Grande, onde fica a sede de uma das maiores empresas do setor. O sequestro de R$ 1,1 bilhão, se confirmado, indica o volume de dinheiro que pode estar fora do controle do fisco.

O caso serve de alerta para plataformas de apostas que prometem lucros fáceis. A investigação ainda está em andamento, e novos desdobramentos podem surgir nos próximos meses.

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