O debate entre Cícero Lucena (PP), Lucas Ribeiro (PP) e Efraim Filho (PL) realizado no domingo (9) pela TV Arapuan/Band expôs a tensão central da campanha: acusações de abandono de obras, fraudes em benefícios previdenciários e promessas de novos programas sociais. O confronto direto, com perguntas e réplicas, forçou os candidatos a detalhar propostas e a se defender de ataques. O que está em jogo, para o eleitor paraibano, é a distância entre o discurso de campanha e os fatos da gestão pública.
O encontro teve quatro blocos, com temas livres e sorteados. Nos primeiros minutos, a disputa entre Cícero e Lucas sobre a Granja Santana, residência oficial do governo, já mostrou o tom: Cícero cobrou a implantação de um “Parque Sensorial” para pessoas autistas, anunciado na gestão de Lucas; Lucas respondeu que o projeto está em fase de licitação. O debate também tratou de obras municipais, esgotamento sanitário e, no segundo bloco, segurança pública, com destaque para a integração de centros de monitoramento, segundo o g1.
Por que isso importa para o paraibano? Porque as promessas e acusações, se confirmadas ou refutadas, podem definir o rumo do estado nos próximos quatro anos, com impacto direto em obras, serviços públicos e uso do dinheiro do contribuinte.
O que há por trás das acusações sobre a Granja Santana e obras abandonadas
Cícero Lucena questionou o fim da moradia oficial da Granja Santana e a demora na criação do parque sensorial. Lucas Ribeiro afirmou que o projeto foi lançado em sua posse (2 de abril) e que o parque “está sendo licitado”. O fato é que, até o debate, não havia obra concluída nem parque em funcionamento. A proposta de transformar o espaço em área de lazer para famílias atípicas depende de licitação, processo que pode levar meses.
Lucas também acusou Cícero de abandonar obras em João Pessoa, como parques municipais. Cícero rebateu dizendo que a prefeitura assumiu os Parques Parahybas e que o próprio Lucas deixou o Parque de Bodocongó, em Campina Grande, sem manutenção. A troca de acusações não apresentou laudos ou relatórios de órgãos de controle. O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) é o responsável por fiscalizar obras públicas estaduais e municipais, e pode ter relatórios sobre a situação desses parques, mas nenhum dos candidatos os citou no debate.
Do ponto de vista orçamentário, a criação de fundos e a execução de obras precisam estar alinhadas ao Plano Plurianual (PPA) do estado, que define metas e investimentos para quatro anos. A Secretaria de Planejamento (SEPLAG-PB) mantém esse documento, que pode ser consultado para verificar se as promessas dos candidatos têm previsão orçamentária.
A acusação de fraude no INSS: o que se sabe
O embate mais duro ocorreu entre Lucas Ribeiro e Efraim Filho. Lucas afirmou que Erik Marinho, suplente de Efraim no Senado, usa tornozeleira eletrônica e é operador do “Careca do INSS”, envolvido em fraudes. Lucas também disse que Erik pagou um boleto de R$ 50 mil para Efraim. Efraim admitiu o pagamento, mas disse que já foi declarado no Imposto de Renda e que o Supremo Tribunal Federal analisou o caso e não viu irregularidade.
O fato é que a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério Público da Paraíba (MPPB) têm atribuições para investigar fraudes no INSS e desvios de verbas federais. Até o momento, não há relato público de que esses órgãos tenham aberto investigação específica sobre as denúncias mencionadas no debate. A acusação, portanto, permanece no campo da disputa política, sem desfecho judicial ou administrativo.
Efraim, por sua vez, acusou pessoas ligadas à família de Lucas e ao partido dele de envolvimento em esquemas fraudulentos, mas não apresentou provas ou nomes concretos.
Propostas para idosos e segurança pública: viabilidade orçamentária
Lucas Ribeiro prometeu enviar à Assembleia Legislativa a criação do Fundo Estadual da Pessoa Idosa e da Escola de Cuidadores, para capacitar familiares de idosos frágeis. A ideia esbarra na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que estabelece limites para a criação de novos fundos e despesas. Qualquer novo gasto precisa de fonte de receita ou compensação, o que pode exigir cortes em outras áreas ou aumento de arrecadação.
Na segurança pública, os candidatos defenderam a integração de centros de monitoramento, sem detalhar custos ou prazos. A proposta depende de investimento em tecnologia e pessoal, além de articulação entre as polícias Civil e Militar. O TCE-PB e a CGU podem auditar a aplicação de recursos federais e estaduais nessa área, mas não há dados públicos sobre o orçamento previsto para tal integração.
O que o eleitor paraibano deve observar: a veracidade das acusações e a viabilidade das propostas
Os candidatos usam acusações como ferramenta de campanha, mas raramente apresentam provas documentais. Cabe ao eleitor buscar informações nos órgãos de controle, TCE-PB, CGU, MPPB e SEPLAG, para verificar se as obras citadas estão realmente abandonadas, se as fraudes mencionadas têm investigação e se as promessas cabem no orçamento. O próximo passo da campanha é a rodada de entrevistas e debates, onde a pressão por respostas concretas deve aumentar. A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta de Efraim Filho e Lucas Ribeiro sobre as acusações, mas não conseguiu entrar em contato.




