A convenção “Pra Cima, Paraíba”, realizada no Centro de Convenções de João Pessoa, homologou as candidaturas do deputado estadual Luciano Cartaxo (Republicanos) à reeleção e de Maísa Cartaxo (Republicanos) a deputada federal. O ato, que aconteceu na quarta (5) e quinta (6), também oficializou a chapa majoritária da base do governador Lucas Ribeiro (PP), com João Azevêdo (PSB) e Nabor Wanderley (Republicanos) ao Senado.
A tensão real do evento não está na formalidade da homologação, e sim no que ela revela sobre o equilíbrio interno da base governista. Luciano e Maísa saem candidatos pelo Republicanos enquanto o partido negocia espaço na chapa majoritária, especialmente a vaga de vice-governador, segundo o Alerta Paraíba. Isso coloca a família Cartaxo no centro de uma disputa por poder dentro da própria situação, que vai além dos cargos em jogo.
O que está em jogo na chapa governista
A convenção unificou a base de Lucas Ribeiro, mas não eliminou as negociações internas. O Republicanos, partido de Luciano, é peça central nas discussões sobre a chapa, especialmente na escolha do vice de Lucas. A presença de Luciano e Maísa na disputa reforça o peso do partido dentro da aliança, mas também expõe a necessidade de acomodar interesses de diferentes grupos.
Enquanto Luciano busca um novo mandato na Assembleia Legislativa, Maísa entra na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados. A candidatura dela com a bandeira da ampliação da participação feminina na política se alinha às cotas de gênero da legislação eleitoral, mas também representa uma aposta do grupo em renovar a base de apoio sem perder o controle sobre o eleitorado.
O peso das alianças na eleição
A homologação conjunta de Lucas Ribeiro (governador), João Azevêdo e Nabor Wanderley (Senado) com os Cartaxo mostra a estratégia de consolidar um bloco único. João Azevêdo, ex-governador e candidato ao Senado, é uma força política na Paraíba, e sua aliança com o grupo de Lucas e Luciano pode fortalecer a candidatura majoritária.
Do outro lado, a oposição também realizou suas convenções. Cícero Lucena (PP) foi homologado candidato a governador, com Veneziano Vital do Rêgo (MDB) disputando a reeleição ao Senado. A chapa oposicionista aposta na experiência dos candidatos para tentar furar o bloco governista, que saiu unificado do evento.
Desafios e oportunidades para os Cartaxo
Para Luciano Cartaxo, o principal desafio é manter a relevância política enquanto o Republicanos disputa espaço com outras siglas da base. A vantagem é que ele já tem mandato e estrutura de campanha, o que reduz o custo de entrada na disputa. Já Maísa enfrenta o desafio de transformar a bandeira da participação feminina em votos para garantir uma vaga na Câmara. A oportunidade está no fato de que a pauta ganhou força e pode atrair eleitores que buscam renovação.
O histórico eleitoral de Luciano, com mandatos consecutivos na Assembleia, mostra que ele tem base eleitoral consolidada. Maísa, por outro lado, é uma candidata nova, sem histórico de votações anteriores, o que torna o desempenho dela uma incógnita. A campanha dela dependerá da capacidade de capitalizar o apoio do grupo político e da visibilidade que a candidatura de Luciano lhe dá.
A conta que o Republicanos ainda vai ter que acertar
A convenção mostrou unidade, mas o tamanho real do apoio do Republicanos à chapa de Lucas Ribeiro ainda será testado nas urnas. A definição do vice-governador, ainda não anunciada, é o principal ponto de tensão. Se o partido não conseguir o espaço que deseja na chapa majoritária, a aliança pode sofrer rachaduras ao longo da campanha.
O que está em jogo é a capacidade do grupo de transformar a união do palanque em votos. A candidatura de Luciano e Maísa é um termômetro para medir a força do Republicanos dentro da base. Se eles tiverem um bom desempenho, o partido ganha poder de barganha para o futuro. Se não, a aliança pode ser renegociada a partir de 2027.




