O ministro André Mendonça, do STF, afirmou ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que o gabinete dele não conseguiu acessar o conteúdo de um dos celulares de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, apreendidos na primeira prisão do ex-banqueiro, em 18 de novembro. Em ofício enviado no sábado (19), Mendonça pediu que a PF adote providências para viabilizar o acesso ao material.

A falha técnica é um novo capítulo de uma relação já desgastada entre o relator do caso Master e a direção da PF. O vazamento de conteúdo do celular de Vorcaro alimentou o embate entre ministros do STF, incluindo Mendonça e Alexandre de Moraes, e Mendonça chegou a determinar a abertura de inquérito sobre a conduta da PF, medida depois suspensa, segundo o Paraíba Online.

A dificuldade de acesso atrasa a análise do material que pode ser central para o desfecho do caso Master. O pedido de Mendonça menciona “qualquer óbice ao efetivo acesso” e solicita “auxílio técnico operacional” da PF, o que indica que o problema pode estar na criptografia ou no formato do arquivo, e não na vontade das partes.

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O que o celular de Vorcaro significa para o caso Master

O conteúdo do aparelho é o ponto central da disputa. Vorcaro tem ligações com integrantes do Supremo, e o vazamento de dados do celular já provocou atrito público entre ministros. Para Mendonça, relator do caso, acessar o material é condição para avançar na análise do processo.

A PF, por sua vez, é quem tem a estrutura técnica para quebrar eventuais bloqueios de criptografia. O gabinete de um ministro não tem essa capacidade, o que explica o pedido formal de ajuda. Não está claro se o obstáculo é uma falha técnica real ou uma restrição deliberada no envio do arquivo.

Por que a Paraíba observa o desfecho de perto

Vorcaro tem conexões políticas e o caso Master já demonstrou que decisões do STF reverberam na eleição paraibana. O próprio portal já publicou matérias sobre o pagamento do Piso da Enfermagem validado por Gilmar Mendes e o impacto nas eleições da Paraíba, mostrando que o que acontece em Brasília não fica restrito a Brasília.

Se o impasse técnico se arrastar, a conclusão do caso pode ser adiada para depois do calendário eleitoral. A demora também mantém acesa a tensão entre Mendonça e Moraes, dois ministros que já se enfrentaram por causa do vazamento.

O teste para Mendonça e para a PF

O pedido de Mendonça coloca a PF em posição delicada: se a ajuda técnica não vier ou demorar, o relator pode interpretar como mais um obstáculo no caso. Se vier, o acesso ao material pode acelerar uma decisão que ninguém sabe ainda qual será.

Está em jogo a credibilidade do processo e a capacidade das instituições de trabalhar em conjunto. A resposta de Andrei Rodrigues ao ofício deve indicar se o entrave é técnico ou institucional, mas até agora não houve manifestação pública da PF sobre o pedido. A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta de André Mendonça, mas não conseguiu entrar em contato.

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