O deputado federal Hugo Motta (Republicanos), candidato à presidência da Câmara, defendeu publicamente a chapa formada por João Azevêdo e Nabor Wanderley (Republicanos) para as duas vagas do Senado na Paraíba e fez uma crítica direta a quem, segundo ele, pode atrapalhar o governador João Azevêdo (PSB). A declaração foi dada em Patos, durante a inauguração de uma loja de veículos.

A fala expõe a tensão real da disputa pelas duas cadeiras senatoriais em 2026: de um lado, o grupo do governador João Azevêdo, que tenta eleger dois senadores alinhados ao Palácio; do outro, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que também disputa uma vaga e já vinha recebendo apoios de prefeitos e lideranças, mas sofreu deserções nos últimos dias. A declaração de Motta, segundo o Blog do Jordan Bezerra, não citou Veneziano pelo nome, mas mirou diretamente na fatia do eleitorado que o senador representa.

Hugo Motta disse que a composição do Senado precisa ter atuação próxima ao governo estadual e que não se deve “colocar no Senado quem vai atrapalhar o governador João, quem vai atrapalhar o Estado”. Ele defendeu que a experiência administrativa de Nabor e de João Azevêdo, o primeiro sendo governador de Patos, pode contribuir para a articulação de recursos e projetos para a Paraíba.

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O movimento de Motta ganha peso porque ele é o presidente da Câmara dos Deputados e lidera o Republicanos na Paraíba, partido que já lançou Nabor como candidato ao Senado. Na prática, o apoio do presidente da Câmara a Nabor e João Azevêdo consolida a chapa governista e reduz o espaço de Veneziano para negociar com o mesmo bloco político.

O cenário da disputa: quem está na briga e o que mudou nos últimos dias

As duas vagas ao Senado na Paraíba em 2026 têm, neste momento, três candidatos principais: Nabor Wanderley (Republicanos), João Azevêdo (sem partido definido na chapa, mas apoiado pelo governo) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB). O governador Lucas Ribeiro (PP) apoia abertamente Nabor e João Azevêdo.

O tabuleiro sofreu alterações recentes que favorecem o grupo governista. O portal noticiou em 17/09/2026 que a ex-prefeita de Piancó, Flávia Galdino, e seu grupo traíram Veneziano e declararam apoio a Nabor. No mesmo dia, Veneziano disse ao Blog que o povo saberá reconhecer os R$ 30 milhões investidos no município, em referência à perda de apoio. Em 18/09/2026, Nabor ampliou apoios no Vale do Piancó com a adesão de Julhinho, Flávia Galdino e mais cinco prefeitos. No dia seguinte, o portal noticiou que a adesão de Aliny Povão a Lucas e João muda a eleição na Paraíba.

A declaração de Hugo Motta, portanto, não é uma fala isolada: ela reforça a narrativa de que o grupo governista está consolidando apoios no interior para isolar Veneziano e garantir as duas cadeiras senatoriais alinhadas ao Palácio.

O que está em jogo: a força do presidente da Câmara e o silêncio de Veneziano

Hugo Motta, como presidente da Câmara, tem poder de articulação política e capacidade de atrair prefeitos e lideranças para o palanque governista. Seu apoio explícito a Nabor e João Azevêdo sinaliza que o Republicanos está fechado com o governo Lucas Ribeiro, o que pode dificultar ainda mais a sobrevivência da candidatura de Veneziano dentro do mesmo arco de alianças.

Até o momento, não houve manifestação oficial do senador Veneziano sobre a declaração de Hugo Motta. O silêncio pode indicar cálculo político, aguardar o desenrolar das movimentações, ou a constatação de que o grupo governista já decidiu não abrir espaço para ele na chapa.

A guerra de narrativas está posta: o governo aposta na tese de que é preciso ter senadores que “não atrapalhem” a gestão estadual; Veneziano, por sua vez, tenta reagir às deserções e manter o apoio de prefeitos que receberam investimentos federais e estaduais. A resposta do senador, se vier, pode definir se ele ainda tem força para disputar uma das vagas ou se será empurrado para uma candidatura marginalizada.

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