O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) estuda criar uma plataforma com inteligência artificial para monitorar, em tempo real, indicadores da atividade judicial. A ferramenta, chamada Processômetro, poderá acompanhar julgamentos, audiências, processos de réus presos e casos de violência doméstica. Mas como exatamente ela vai funcionar e o que muda para o cidadão?
O corregedor-geral de Justiça, desembargador Carlos Beltrão, afirmou que o sistema já tem os primeiros dados básicos e que a plataforma será proposta à próxima gestão do tribunal. A ideia é usar painéis interativos e inteligência artificial para reunir informações de todas as varas do estado e sinalizar situações fora do padrão.
O que o Processômetro vai medir
A plataforma pretende capturar, em tempo real, ao menos cinco grupos de indicadores:
– Julgamentos realizados por dia em todas as comarcas e unidades do estado.
– Audiências realizadas ou canceladas, com alerta visual (cores) para comarcas com muitos cancelamentos.
– Processos com réus presos que estejam conclusos fora do prazo.
– Ações relacionadas à violência doméstica.
– Gargalos na tramitação processual.
O desembargador Carlos Beltrão explicou que o sistema poderá, por exemplo, mostrar que determinada comarca teve muitas audiências adiadas e permitir saber o que aconteceu. A ferramenta usará cores para sinalizar situações críticas.
Diferença para o Sagres do TCE-PB
O desembargador lembrou que o Tribunal de Contas da Paraíba já possui o Sagres, sistema que acompanha minuto a minuto a gestão financeira de municípios e órgãos públicos. O Processômetro segue a mesma lógica de transparência e controle, mas focado na atividade jurisdicional, julgamentos, audiências e prazos processuais, , e não na gestão orçamentária.
Enquanto o Sagres monitora contas públicas, o Processômetro vai mirar no desempenho das varas e na celeridade dos processos. A diferença está no objeto: um cuida do dinheiro público; o outro, da prestação do serviço de Justiça.
Próximos passos até a implementação
O projeto ainda está em fase de estudos. A Corregedoria Geral de Justiça (CGJ) iniciou as pesquisas e já colheu os primeiros dados básicos, mas não há prazo definido para a implementação. A plataforma será proposta à próxima gestão do TJPB, o que significa que depende de aprovação interna e, possivelmente, de orçamento.
Não foram divulgados valores estimados nem detalhes sobre como o cidadão poderá acessar os dados em tempo real, se haverá um portal público ou se o acesso será restrito à administração judicial. A matéria original não informa prazos para aprovação pelo pleno do tribunal.
O que muda na prática para o paraibano
Se implementado, o Processômetro pode agilizar a resolução de processos que afetam o dia a dia da população, como divórcios, execuções fiscais e ações de violência doméstica. Ao identificar gargalos em tempo real, a administração judicial poderá redirecionar recursos, cobrar juízes e servidores, e reduzir a morosidade.
Por enquanto, porém, a ferramenta é apenas um estudo. O cidadão paraibano ainda não tem data para ver os painéis funcionando. O que se sabe é que a Corregedoria está construindo a base técnica para que, em algum momento, a Justiça estadual ganhe um instrumento de monitoramento que já existe em outros setores, como o controle de contas públicas feito pelo TCE-PB.




