O ex-governador Ricardo Coutinho afirmou nesta segunda-feira (10) que a indicação do deputado estadual Eduardo Carneiro (PP) para vice na chapa do governador Lucas Ribeiro (PP) contrariou um acordo firmado entre a direção nacional do PT e o grupo do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP). A declaração expõe uma fissura pública na base governista e levanta dúvidas sobre a estabilidade da aliança que sustenta a candidatura à reeleição. O que está em jogo é o nome do vice e a confiança entre os partidos que compõem a coligação.
Segundo Ricardo, o PT nacional, por meio do presidente Edinho Silva, havia acertado com Aguinaldo a indicação do vice-governador na chapa de Lucas. A escolha de Eduardo Carneiro, portanto, teria sido uma surpresa e gerou reação imediata do partido. “Quando saiu a divulgação do Eduardo Carneiro, a você teve uma reação natural de quem tinha feito um acordo”, declarou o ex-governador em entrevista ao programa Liga 360 Debate, da TV Norte Paraíba.
O episódio expõe um problema concreto para a campanha de Lucas Ribeiro. A formação de chapas majoritárias e as alianças partidárias são elementos cruciais no processo eleitoral, influenciando diretamente a competitividade e o resultado das eleições, conforme estabelece a Lei nº 9.504/97, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se o PT entender que o acordo foi rompido, o partido pode reduzir o empenho na campanha ou até mesmo lançar candidatura própria no primeiro turno, hipótese que Ricardo não descarta, ao afirmar que não apoiará ninguém no primeiro turno e que decidirá no segundo conforme a configuração da disputa.
A reação do PT e o risco de isolamento do grupo de Aguinaldo
A reação petista, segundo Ricardo, partiu do presidente nacional Edinho Silva. Isso indica que o desgaste não é local, mas tem eco na cúpula do partido. A comunicação de acordos políticos e suas eventuais rupturas gera instabilidade e desconfiança entre os aliados, afetando a coesão da base de apoio. Na prática, se o PT se distanciar, o grupo de Aguinaldo Ribeiro perde um dos principais cabos eleitorais do estado, Ricardo Coutinho ainda tem peso político significativo entre eleitores de esquerda e movimentos sociais.
Para o eleitor paraibano, o impasse reforça a percepção de que as alianças são frágeis e dependem mais de acordos de bastidores do que de projetos políticos consistentes. A negociação para a escolha de vices envolve equilíbrio político e representatividade. Quando esse processo vaza e se torna público como desavença, a imagem de unidade da chapa governista fica arranhada.
Os cenários possíveis para a chapa governista
Diante do impasse, três caminhos são possíveis, todos com riscos:
1. Manutenção de Eduardo Carneiro na vice: Se o PP mantiver a escolha, o PT pode retaliar com candidatura própria ou apoio crítico no primeiro turno. Isso fragmentaria a base e abriria espaço para adversários, como o candidato do MDB, Cícero Lucena, que já registrou candidatura ao governo.
2. Substituição do vice para cumprir o acordo com o PT: Seria uma derrota política para o PP e para Eduardo Carneiro, mas poderia recompor a aliança. O desafio é encontrar um nome que agrade ao PT e ao grupo de Aguinaldo simultaneamente, o que não parece simples dado o histórico de tensões.
3. Manutenção do impasse até o limite legal: O registro de candidaturas tem prazo. Se o acordo não for cumprido e o PT não ceder, a chapa pode ir para a eleição com o PT fora da coligação formal, mas ainda com apoio informal de parte da militância. Isso seria o pior dos mundos: desgaste público sem ruptura total.
Ricardo Coutinho comparou a indefinição atual com a montagem de sua própria chapa em 2014, resolvida em menos tempo. A demora e a controvérsia, segundo ele, são sinais de que a articulação enfrentou resistência nos bastidores.
O que está em jogo: a credibilidade das alianças e o eleitor paraibano
O caso não é apenas um racha interno da base governista. Ele expõe como acordos políticos são costurados em nível nacional e local, e como a falta de transparência pode gerar crises. A ‘noticiabilidade’ do evento, como aponta o estudo do Jornalismo, política e noticiabilidade, é determinada pelo impacto potencial na sociedade, e aqui o impacto é direto: o eleitor vê seus representantes brigando por cargos antes mesmo da campanha começar de fato.
A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta do governador Lucas Ribeiro e do deputado Aguinaldo Ribeiro, mas não conseguiu entrar em contato. O PT nacional também foi procurado, mas não havia retorno até o fechamento desta edição. O desfecho desse impasse definirá o vice, o tom da campanha e a confiança do eleitor na palavra dos políticos paraibanos.




