O dono da Pixbet, Ernildo Júnior, foi parado pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (8) enquanto dirigia um Toyota SW4 pela BR-230, na entrada de Campina Grande. Agentes bloquearam parcialmente a rodovia com viaturas, apreenderam o veículo e recolheram o celular do empresário. O flagrante em deslocamento, e não num endereço fixo, revela uma estratégia da investigação: colher provas no momento em que o investigado estivesse com os equipamentos em uso, sem chance de destruição ou ocultação remota de dados.

A ação faz parte da Operação Integration, deflagrada pela Polícia Federal em parceria com a Receita Federal e o Ministério Público Federal. A empresa de apostas esportivas é suspeita de usar uma estrutura societária e financeira no exterior para lavar dinheiro proveniente de jogos de azar. Até o momento, a Justiça Federal determinou o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores, além da quebra dos sigilos telemático e bancário dos investigados. A informação foi publicada pelo site NewsPB.

Por que isso importa para o paraibano: Campina Grande é a cidade onde a Pixbet nasceu e onde Ernildo Júnior construiu a empresa. A apreensão do carro e do celular, no meio de uma rodovia federal que corta o estado, indica que a PF está atuando para fechar o cerco com provas colhidas em tempo real, o que pode encurtar o caminho até a denúncia e impactar diretamente o desfecho do caso.

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Por que a PF escolheu a estrada em vez de um endereço fixo

A interceptação na BR-230, durante o trânsito matinal, sugere que os investigadores queriam evitar o aviso prévio que ocorre numa busca em casa ou escritório. A abordagem na estrada evita que o alvo seja alertado por vizinhos, seguranças ou sistemas de câmeras. Abordar o veículo em movimento permite apreender o telefone ainda ligado e com dados não criptografados, antes que o dono tenha tempo de apagar mensagens, aplicativos ou acionar a destruição remota do aparelho.

A Operação Integration cumpriu mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça de Pernambuco, espalhados por cinco estados: Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná. A abordagem na estrada foi um mandado específico para apreender o veículo e o celular de Ernildo Júnior, e não uma abordagem aleatória. A PF já tinha informações sobre a rota que ele faria naquela manhã.

O que o celular e o carro apreendidos podem acrescentar às provas

A investigação já havia obtido a quebra de sigilo telemático e bancário dos investigados. Isso significa que a PF já tinha acesso a extratos, transferências e comunicações armazenadas em servidores. A apreensão do celular em flagrante, porém, agrega uma camada que a quebra de sigilo não alcança: dados voláteis.

Aparelhos apreendidos em tempo real podem conter conversas de aplicativos de mensagem instantânea que ainda não foram copiadas para a nuvem, geolocalização dos últimos deslocamentos, registros de chamadas recentes e, principalmente, arquivos apagados que ainda não foram sobrescritos pela memória do telefone. A perícia digital da PF pode recuperar mensagens deletadas, fotos e documentos que ajudem a rastrear o fluxo do dinheiro para offshores.

O veículo SW4, por sua vez, pode ser submetido a perícia para encontrar compartimentos ocultos, documentos ou dispositivos eletrônicos que não estivessem à vista. Embora o carro em si não seja o foco central das provas, a apreensão impede que seja alienado ou destruído enquanto a investigação corre.

O volume de dinheiro e os próximos passos processuais

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado movimentou mais de R$ 2 bilhões em três anos com estrutura offshore. Já a Polícia Civil informou que a Operação Integration cumpre medidas de sequestro de até R$ 2,1 bilhões. O valor é o maior já bloqueado em uma investigação desse tipo na Paraíba.

Os investigados poderão responder por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o sistema financeiro nacional. A análise do material apreendido nesta quinta-feira, celulares, computadores, documentos e o veículo, deve levar de algumas semanas a meses para ser concluída pelo setor de perícia da PF. Com esse laudo, o Ministério Público Federal decidirá se apresenta denúncia formal ou pede novas diligências.

O dinheiro que ainda pode ser rastreado e a conta que a defesa terá de pagar

A defesa de Ernildo Júnior ainda não se manifestou publicamente sobre a apreensão do carro e do celular. A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta do empresário, mas não conseguiu entrar em contato.

O que está em jogo agora é se as provas colhidas na BR-230 serão suficientes para conectar de forma direta o dono da Pixbet às movimentações offshore de R$ 2 bilhões. O bloqueio de R$ 1,1 bilhão já dado pela Justiça é um passo concreto, mas a decisão sobre a eventual prisão preventiva ou a liberdade de Ernildo Júnior dependerá do que a PF encontrar no telefone e no veículo apreendidos. Sem uma previsão categórica, o caso caminha para os próximos meses sob o peso de um volume de provas que ainda está sendo contado e decifrado.

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