Você já viu os números da pesquisa Quaest para governador da Paraíba, mas sabe o que eles realmente significam quando a análise é dividida por gênero, idade, escolaridade, renda, cor, religião ou posicionamento político? Cada um desses grupos tem uma margem de erro própria, e ignorar isso pode levar a conclusões erradas.

A pesquisa, divulgada na terça-feira (25), ouviu 804 pessoas entre 21 e 24 de agosto e tem registro no TSE (PB-07850/2026). A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de confiança. Mas nos segmentos, esse número muda, e muito, segundo o G1 Paraíba. Entender essas variações separa uma leitura informada de uma interpretação enganosa.

O que a margem de erro significa em cada grupo

A margem de erro de 3 pontos no total indica que, se a pesquisa fosse repetida, o resultado provável estaria dentro desse intervalo. Para subgrupos, porém, a amostra é menor, e a margem cresce. Entre eleitores pretos, por exemplo, a margem chega a 12 pontos. Isso significa que uma diferença de 10 pontos entre dois candidatos nesse grupo pode não ser real, pode ser apenas ruído estatístico.

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Veja as margens por segmento, conforme a pesquisa:

  • Gênero: 5 pontos para homens e 5 para mulheres.
  • Idade: 6 pontos (16 a 34 anos), 5 pontos (35 a 59 anos), 7 pontos (60+).
  • Escolaridade: 5 pontos (fundamental), 6 pontos (médio), 9 pontos (superior).
  • Renda: 5 pontos (até 2 salários mínimos), 5 pontos (2 a 5 salários), 9 pontos (acima de 5 salários).
  • Cor/raça: 6 pontos (brancos), 5 pontos (pardos), 12 pontos (pretos).
  • Religião: 4 pontos (católicos), 8 pontos (evangélicos).
  • Posicionamento político: 5 pontos (lulistas), 11 pontos (esquerda não lulista), 6 pontos (independentes), 10 pontos (direita não bolsonarista), 8 pontos (bolsonaristas).

Quais diferenças são de fato relevantes

Uma diferença entre candidatos só é estatisticamente significativa se for maior que o dobro da margem de erro do grupo. Por exemplo, entre os evangélicos (margem de 8 pontos), Lucas Ribeiro tem 33% e Efraim Filho tem 29%. A diferença é de 4 pontos, menor que 8, portanto, não é possível afirmar que um lidera sobre o outro nesse segmento. Já entre os lulistas (margem de 5 pontos), Lucas Ribeiro tem 45% e Cícero Lucena 28%. A diferença de 17 pontos é maior que 10 (dobro da margem), então há liderança real.

No grupo de eleitores pretos (margem de 12 pontos), Lucas Ribeiro tem 28% e Cícero Lucena 25%, diferença de 3 pontos, muito abaixo do dobro da margem. Qualquer conclusão sobre quem está à frente entre pretos é precipitada.

Como o eleitor da Paraíba pode usar esses dados sem se enganar

Olhe a margem de erro do segmento antes de comparar números. Diferenças pequenas, de até metade da margem, são irrelevantes. Diferenças entre uma e duas margens merecem cautela. Apenas diferenças acima de duas margens indicam vantagem real.

Não misture segmentos. Comparar o desempenho de um candidato entre homens e mulheres, por exemplo, exige considerar as margens de cada grupo separadamente. A pesquisa também mostra que 69% dos eleitores dizem ter voto definitivo, e 30% ainda podem mudar, o que significa que os números de hoje não são garantia de resultado final.

O que muda na prática para o eleitor paraibano

A principal lição é desconfiar de manchetes que destacam lideranças em subgrupos sem mencionar a margem de erro. Um candidato pode aparecer à frente entre eleitores de alta renda, mas com margem de 9 pontos, a diferença pode não valer. O dado útil está nas tendências amplas, não nos recortes apertados.

A pesquisa mostra Lucas Ribeiro à frente no geral (38%), seguido por Cícero Lucena (19%) e Efraim Filho (18%). Dentro de cada segmento, só diferenças robustas merecem ser levadas a sério. O resto é ruído.

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