O vice-governador e candidato ao governo Lucas Ribeiro (PP) aparece com 43,4% das intenções de voto na pesquisa do Instituto Anova divulgada nesta terça-feira (8). No cálculo dos votos válidos, ele chega a 58,26%, o que, se confirmado nas urnas, garantiria vitória no primeiro turno. O número, porém, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, o que significa que o percentual real pode variar entre 41,2% e 45,6%.
Veneziano Vital do Rêgo (MDB) tem 18,2% (24,43% dos válidos) e Nilvan Ferreira (PL) aparece com 12,1% (16,24% dos válidos). Pedro Coutinho (DC) e Camilo Duarte (PCO) somam juntos 0,8%. O levantamento ouviu 2 mil eleitores em 70 municípios paraibanos entre 3 e 5 de setembro, com nível de confiança de 95%, e foi registrado no TSE sob o número BR-02714/2026, segundo o site Maurílio Júnior.
Os números colocam Lucas Ribeiro em posição confortável, mas a margem de erro e a distribuição dos votos dos adversários deixam o cenário ainda em aberto. O que sustenta a vantagem do governador e o que pode mudar a partir de agora?
- Lucas Ribeiro tem 43,4% das intenções de voto e 58,26% dos votos válidos.
- Margem de erro de 2,2 pontos permite oscilação que ainda mantém risco de segundo turno.
- Apoio do ex-governador João Azevêdo é o principal motor da vantagem de Lucas.
- Cícero Lucena e Efraim Filho precisam consolidar votos e atrair eleitorado disperso para forçar 2º turno.
O peso da máquina de João Azevêdo
A vantagem de Lucas Ribeiro não é fruto apenas de seu desempenho pessoal. O principal ativo do governador é a máquina política herdada do ex-governador João Azevêdo, que comandou o estado por oito anos e construiu uma ampla rede de prefeitos e lideranças regionais. Azevêdo não é candidato neste pleito, mas sua força eleitoral foi transferida diretamente para Lucas, que foi seu vice e agora busca a reeleição.
Dos 70 municípios onde a pesquisa foi realizada, a base de Azevêdo tem presença consolidada no Sertão, Agreste e Borborema. A pesquisa não detalha o peso de cada região nos votos de Lucas, mas o levantamento abrangeu as quatro mesorregiões da Paraíba. A avaliação positiva do governo estadual, impulsionada por programas como o IPVA zero para motoristas de aplicativo anunciado recentemente, também contribui para o cenário favorável.
Essa transferência de capital político é o principal fator que explica a distância de Lucas para os adversários. Sem o apoio de Azevêdo, a campanha de Lucas teria de reconstruir pontes que já estavam pavimentadas. O dado concreto é que o governador tem hoje um patamar de intenção de voto que o coloca acima da soma de Cícero e Efraim.
Cícero e Efraim: caminhos para o segundo turno?
Para que haja segundo turno, Lucas precisa ficar abaixo de 50% dos votos válidos. Com 58,26% dos válidos na pesquisa, ele está 8,26 pontos acima do limite. Mas a margem de erro de 2,2 pontos pode reduzir esse percentual para algo entre 56% e 60,5% dos válidos, ainda acima da metade.
Veneziano, com 24,43% dos válidos, e Nilvan Ferreira, com 16,24%, precisariam, juntos, de uma migração de votos de Pedro Coutinho e Camilo Duarte (que somam 1,07% dos válidos) e, principalmente, de eleitores que hoje declaram voto em Lucas ou que estão indecisos. A pesquisa não informa o percentual de indecisos ou brancos/nulos, mas a margem de erro de 2,2 pontos indica que a amostra permite variações.
O caminho mais viável para o segundo turno seria uma consolidação do voto anti-Lucas em torno de um único nome, algo que, até agora, não ocorreu. Cícero e Efraim disputam o mesmo eleitorado de centro-direita e dividem os votos. Enquanto essa divisão persistir, Lucas mantém a vantagem. A pesquisa não testou cenários de segundo turno, então não é possível saber como cada um se sairia em um confronto direto com o governador.
O que muda na campanha após a pesquisa
Para Lucas Ribeiro, o resultado reforça a estratégia de manter o tom de gestão e evitar confrontos diretos que possam mobilizar o eleitorado adversário. A campanha deve continuar apostando na máquina pública e na associação com Azevêdo. O risco é a acomodação do eleitorado, que pode reduzir a vantagem nas urnas se a oposição conseguir polarizar.
Para Cícero Lucena, a pesquisa mostra que ele é o principal nome da oposição, mas ainda longe de ameaçar a liderança. A estratégia deve ser atacar a gestão estadual em pontos específicos e tentar atrair o eleitor de Efraim. Veneziano tem experiência como ex-prefeito de Campina Grande, mas o alcance estadual é limitado.
Para Efraim Filho, o desafio é crescer além do eleitorado do PL e se firmar como alternativa viável. Com 12,1%, ele precisa de uma virada de campanha que, até o momento, não se desenha nos números. O senador tem base no sertão, mas a força de Lucas na mesma região dificulta o avanço.
O teste que espera a campanha de Lucas Ribeiro
A vantagem de Lucas na pesquisa é real, mas o cenário ainda pode mudar. A margem de erro, a possibilidade de desistências e a consolidação do voto oposicionista são fatores que podem levar a disputa para o segundo turno. O que está em jogo é a capacidade de Lucas de converter a vantagem numérica em votos nas urnas, sem dar espaço para que a rejeição ao governo cresça.
Para o eleitor paraibano, a pesquisa mostra que a eleição ao governo tem um favorito claro, mas a oposição ainda tem tempo e recursos para reagir. O próximo passo é observar como os candidatos ajustarão suas campanhas nas semanas que antecedem o pleito.




