O governador Lucas Ribeiro (PP) entrou no debate da FGTV na noite de sexta (7) ao lado do deputado estadual Luciano Cartaxo (Republicanos). O gesto ocorre na reta final da definição do vice da chapa governista, que pode ser anunciado neste sábado (8), segundo o Jornal da Paraíba. A cena expõe a tensão interna entre diferentes grupos da base, que disputam o posto com perfis e sinais políticos distintos.
A escolha do vice vai além de um nome: revela qual corrente política terá mais peso na aliança de Lucas e pode influenciar a distribuição de votos em regiões estratégicas como João Pessoa e Campina Grande. Por que isso importa para o paraibano? A definição do companheiro de chapa afeta diretamente as chances de reeleição do governador e o equilíbrio de forças entre os partidos aliados nos próximos anos.
O cenário da escolha
O registro da candidatura, incluindo o vice, deve ser feito até 15 de agosto, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A convenção do grupo ocorreu na quarta-feira (5) e já expôs o impasse. O presidente da Assembleia, Adriano Galdino (Republicanos), recusou a vaga após exigir redistribuição de suas bases eleitorais para o PP, mudança que poderia prejudicar candidatos proporcionais que contam com sua estrutura. No dia seguinte, o nome do deputado Eduardo Carneiro (PP) passou a ser tratado como solução interna, mas gerou resistência entre setores da base alinhados ao presidente Lula (PT), por causa da trajetória anterior de Carneiro como aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O PDT também tenta ocupar o espaço com a ex-secretária Rafaela Camaraense, que conta com apoio de lideranças femininas. Luciano Cartaxo, por sua vez, não fecha as portas para retornar ao cargo de vice, posto que já ocupou na gestão de João Maranhão. O gesto de aparecer ao lado de Lucas no debate reacendeu a especulação.
Peso regional: João Pessoa e Campina Grande
Um candidato a vice pode equilibrar a chapa por representatividade regional, ideológica, de gênero ou por experiência administrativa. Na prática paraibana, Lucas Ribeiro tem vínculo mais forte com Campina Grande e o interior. Já Luciano Cartaxo, ex-prefeito de João Pessoa por dois mandatos, carrega ligação com o eleitorado da capital, um território que a campanha governista precisa conquistar para garantir a reeleição.
Cartaxo na chapa ampliaria a capilaridade urbana da candidatura. Um nome de Campina Grande não traria ganho regional adicional. O mesmo raciocínio vale para outras regiões: um vice do Sertão ou do Brejo poderia compensar fragilidades eleitorais, mas nenhum dos cotados tem esse perfil no momento.
Riscos ideológicos de um vice bolsonarista
Eduardo Carneiro exemplifica o dilema de um vice com histórico político divergente do cabeça de chapa. Lucas Ribeiro integra a base do governo Lula e precisa do eleitorado petista para vencer. Carneiro, por ter sido aliado de Bolsonaro, provoca rejeição em setores desse eleitorado. O benefício seria atrair votos de direita, mas o risco é desmobilizar a militância lulista e enfraquecer a unidade da coligação.
A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta do deputado Eduardo Carneiro, mas não conseguiu entrar em contato.
A representatividade feminina na vaga
Além da força política na capital, Maísa Cartaxo, esposa do deputado e candidata a deputada federal, aparece como possibilidade para atender ao argumento de ampliação da representação feminina na chapa. O PDT também defende a ex-secretária Rafaela Camaraense com o mesmo apelo. Embora não haja cota legal para vice, a pressão por diversidade de gênero tem crescido nas campanhas e pode influenciar a percepção do eleitorado, especialmente entre mulheres.
A inclusão de uma mulher na vaga traria ganho simbólico e poderia ajudar a neutralizar críticas de falta de espaço feminino na aliança. Por outro lado, o nome precisa ter peso eleitoral próprio para não ser visto como mero cumprimento de pauta.
O dilema da chapa: equilibrar região e ideologia
A definição do vice não será apenas técnica. Ela sinalizará o tipo de aliança que Lucas Ribeiro pretende construir para o segundo mandato, e como pretende dialogar com o eleitorado de João Pessoa, de Campina Grande e com as diferentes correntes ideológicas da base. O anúncio, que pode sair ainda neste sábado, será o primeiro teste da estratégia de reeleição.




