Levantamento da Transparência Brasil divulgado nesta segunda-feira (13) mostra que a Paraíba concentrou 43% dos recursos distribuídos por meio das emendas de liderança do Republicanos em 2025. O partido destinou R$ 218,4 milhões em 260 emendas de comissão assinadas apenas pela liderança, sem identificação do parlamentar responsável pela indicação. Desse total, R$ 95,1 milhões foram para a Paraíba, distribuídos em 84 emendas.
O estudo também aponta que R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão foram executados sem indicação nominal do autor, modelo que a entidade considera semelhante ao extinto orçamento secreto. Procurado, Hugo Motta ainda não se manifestou sobre os dados. O debate sobre transparência ganhou força após decisões do ministro Flávio Dino, que determinou o bloqueio de bens de Valdemar Costa Neto e de Eduardo Cunha por suspeitas de desvio de emendas. Em resposta às decisões, Motta afirmou que há “indevida intervenção judicial” e que a destinação segue a legislação vigente.
O que diz o estudo da Transparência Brasil
O relatório cita um empenho de R$ 10,5 milhões destinado à Codevasf, com a Comercial e Construtora Fenix Ltda como empresa favorecida. Segundo a Transparência Brasil, a indicação teria sido feita por Hugo Motta, mas os documentos informam apenas que os recursos seriam usados para obras de pavimentação na área de atuação da 13ª Superintendência da Codevasf, sem especificar os municípios beneficiados.
A entidade afirma que o processo de execução dessas emendas dificulta o acompanhamento integral do dinheiro público, da indicação até a aplicação final. A ausência de um identificador único para cada indicação impede a rastreabilidade completa das emendas, mesmo quando formalmente registradas.
A pressão sobre a transparência e o papel de Hugo Motta
Os dados colocam a Paraíba no centro de um debate nacional sobre o controle das emendas parlamentares. Hugo Motta, presidente da Câmara e principal liderança do Republicanos no estado, tem defendido que a destinação dos recursos segue a lei. Mas o levantamento da Transparência Brasil reforça críticas de que o modelo atual ainda preserva falhas de rastreabilidade.
Com as decisões recentes de Flávio Dino e a reação do Legislativo, o assunto deve continuar em pauta. Para o leitor paraibano, a questão é direta: R$ 95,1 milhões em emendas sem identificação clara de quem as indicou, e sem detalhamento público dos municípios beneficiados. A transparência prometida com o fim do orçamento secreto ainda não se concretizou, e o estado de Hugo Motta é o exemplo mais concentrado disso.




