As agendas dos candidatos ao governo da Paraíba nesta terça-feira (8) mostraram movimentos opostos na reta final da campanha, com três linhas claras de atuação: uso da máquina pública, radicalização do discurso de direita e aposta em sabatinas para ganhar densidade programática. Lucas Ribeiro (PP), Efraim Filho (União) e Cícero Lucena (PP) lideram as estratégias mais estruturadas, enquanto Pedro Coutinho (DC) e Yuri Ezequiel (UP) buscam adesões em nichos. Camilo Duarte (PCO) não divulgou agenda.
O primeiro turno da eleição está marcado para outubro. Pesquisa Quaest divulgada também nesta terça mostra Lucas Ribeiro liderando com folga e aponta riscos de segundo turno na Paraíba, segundo o arquivo do portal. Os compromissos foram registrados pelo G1 Paraíba.
- Lucas Ribeiro mescla gestão e campanha para capitalizar a máquina pública em Bayeux
- Efraim Filho radicaliza discurso anti-STF em ato no Busto de Tamandaré para mobilizar base de direita
- Cícero Lucena aposta em sabatinas e plenárias para ganhar densidade programática
- Pedro Coutinho e Yuri Ezequiel concentram esforços em adesões locais e panfletagem na capital
Lucas Ribeiro: máquina e base
O governador e candidato à reeleição, Lucas Ribeiro (PP), combinou na terça-feira agenda administrativa pela manhã e início da tarde com atos de campanha à tarde: inauguração do comitê de Julian Lemos, no bairro de Miramar, seguida de caminhada e comício em Bayeux, na Grande João Pessoa.
Lucas Ribeiro mescla gestão e campanha para capitalizar a máquina pública e manter a vantagem eleitoral. A pesquisa Anova, divulgada no mesmo dia, confirma a liderança folgada, mas o risco de segundo turno mostra que a campanha não pode desmobilizar. O comício em Bayeux, cidade da região metropolitana, reforça a aposta em redutos de alta densidade eleitoral.
Efraim Filho: radicalização calculada
O senador Efraim Filho (União) começou o dia em Natuba, no interior, e à tarde participou de ato contra o STF e contra o ministro Alexandre de Moraes no Busto de Tamandaré, em João Pessoa. O evento foi organizado por políticos de direita.
A escolha do local e do tema não é aleatória. O Busto de Tamandaré é um ponto simbólico de manifestações conservadoras na capital. Com o discurso anti-STF, Efraim busca mobilizar o eleitorado de direita que rejeita o governo federal e o Judiciário. A agenda em Natuba, uma cidade pequena, também sugere tentativa de penetração no interior, mas o ato político de maior visibilidade foi o de confronto institucional. A radicalização pode consolidar a base, mas arrisca afastar eleitores de centro.
Cícero Lucena: aposta institucional
Cícero Lucena (PP) participou de duas sabatinas na terça-feira: uma à tarde com veículo de comunicação e outra à noite no Fórum de Segurança Pública, em João Pessoa. Pela manhã, gravou o guia eleitoral. À noite, cumpriu plenárias com os vereadores Ícaro Chaves e Marcos Vinícius.
A agenda revela uma aposta em densidade programática: sabatinas em veículos de imprensa e em fórum especializado indicam que o candidato busca apresentar propostas concretas para ganhar densidade e contrastar com o estilo mais gestor de Lucas e mais radical de Efraim. As plenárias com vereadores, por sua vez, sugerem trabalho de base e articulação com líderes locais. A estratégia é mais institucional e menos de massa, o que pode ser tanto um diferencial quanto um risco.
Pedro Coutinho e Yuri Ezequiel em nichos
Pedro Coutinho (DC) fez encontro em Mogeiro para anunciar adesão de ex-candidato a prefeito, reunião em João Pessoa com candidatos a deputado federal do Partido Novo e culto evangélico em Cruz do Espírito Santo. O movimento busca costurar alianças locais e dialogar com o eleitorado evangélico.
Yuri Ezequiel (UP) dedicou o dia a reuniões internas, panfletagem no Parque Solon de Lucena e encontros com apoiadores no bairro do Rangel, em João Pessoa. A estratégia é de base, com foco em nichos de esquerda e bairros populares da capital.
Camilo Duarte (PCO) não informou a agenda ao G1 Paraíba.
O que a reta final reserva para cada candidato na PB
A reta final da campanha na Paraíba já desenha três estratégias em jogo: Lucas Ribeiro aposta na máquina e na vantagem nas pesquisas para tentar liquidar a disputa no primeiro turno; Efraim Filho radicaliza o discurso de direita para reter a base e evitar que ela migre para outros candidatos conservadores; Cícero Lucena busca densidade programática para crescer entre eleitores que ainda não decidiram. Os candidatos menores atuam em nichos. O risco de segundo turno, apontado pela pesquisa Quaest, mantém o cenário aberto.
A redação do Alerta Paraíba não conseguiu contato com Camilo Duarte sobre a agenda de terça-feira.




