O que muda quando um reservatório está com 0,04% da capacidade? E por que quatro já chegaram a 0%? A análise de agosto da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa-PB) mostra que 22 açudes estão perto do colapso: quatro completamente secos e outros 21 com menos de 10% de água. Os dados são do dia 16 de agosto.

Para quem mora em cidades do Sertão e do Cariri, o número indica que o abastecimento pode se tornar ainda mais crítico nas próximas semanas, especialmente nos municípios que dependem exclusivamente desses mananciais. Os reservatórios secos são Caraibeiras (Picuí), Prata II (Prata), Sabonete (Teixeira) e São Mamede (São Mamede).

A análise, divulgada pela Aesa-PB, organiza os açudes em cinco faixas de volume. Entender essa classificação ajuda a saber o risco real de cada região.

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As faixas de volume monitoradas pela Aesa

A agência estadual divide os reservatórios em cinco categorias, de acordo com o percentual de água armazenada:

  • Sangrando (100% ou mais): açudes com capacidade total ou acima dela. São 15 no estado, como Camalaú (106,83%) e Gramame/Mamuaba (101,57%).
  • Favorável (70% a 99%): volume ainda confortável. Inclui açudes como Farinha (75%) e Acauã (86,51%).
  • Normal (20% a 69%): condição regular. Aqui estão 29 reservatórios. Epitácio Pessoa, em Boqueirão, está com 48,9%.
  • Atenção (10% a 19%): alerta para racionamento. São 11 açudes, como Campos (10,05%) e Sumé (17,29%).
  • Crítico (abaixo de 10%): risco iminente de colapso. 18 reservatórios estão nessa faixa. Quatro já zeraram.

Onde estão os açudes mais secos

Dos 21 em situação crítica, alguns estão praticamente sem água. O pior caso é o do Bastiana, em Teixeira, com 0,04% da capacidade. Em seguida vêm Bichinho (Barra de São Miguel, 0,06%) e São José IV (São José do Sabugi, 0,07%). Outros quatro chegaram a 0%: além dos já listados, Sabonete e São Mamede também estão secos.

Na lista de críticos ainda aparecem açudes em cidades como Cacimbas, Desterro, Picuí, Soledade, Juazeirinho, Ouro Velho, Cuité, Taperoá e Monteiro. Nenhum deles ultrapassa 9,61%.

O que isso muda no dia a dia do paraibano

Para a população das cidades que dependem desses açudes, a seca significa menos água para beber, cozinhar e para a agricultura da agricultura. Quando um reservatório fica abaixo de 10%, a captação se torna mais difícil e a água pode ficar imprópria devido à concentração de sedimentos. Em casos extremos, como os quatro açudes secos, só resta buscar água em carros-pipa ou fontes alternativas.

A Aesa-PB segue monitorando os níveis. As próximas semanas vão mostrar se as chuvas de fim de ano chegam a tempo de evitar o agravamento da crise no Sertão e no Cariri paraibano.

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