O senador Efraim Filho (PL) e o prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (União Brasil), encerraram nesta sexta (31) a última reunião antes da convenção do PL marcada para este domingo (2), mas o nome do vice para a chapa majoritária ainda não estava definido. A indefinição se arrastou até as horas finais, com pelo menos três perfis na mesa: a primeira-dama Juliana Cunha Lima, um nome ligado ao setor produtivo e outro do segmento evangélico.

A decisão final será tomada na noite deste sábado (1º), poucas horas antes do evento que também contará com a presença do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), segundo o Jornal da Paraíba. A demora em bater o martelo expõe um dilema de estratégia eleitoral: que tipo de eleitor o PL quer atrair e qual o preço político de cada escolha.

Três caminhos, um mesmo objetivo: engajar a direita

Juliana Cunha Lima, mulher do prefeito Bruno, foi convidada a integrar a chapa. Se entrar, ela traria capital político de Campina Grande e um vínculo direto com a gestão municipal, mas há a possibilidade de que questões de saúde a impeçam de concorrer. Caso fique de fora, os aliados de Efraim avaliam duas alternativas complementares.

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Um nome ligado ao setor produtivo, segundo o Jornal da Paraíba, e outro do segmento evangélico. Ambas são apostas calculadas: o perfil empresarial mira o apoio de comerciantes e industriais, enquanto o evangélico busca mobilizar um eleitorado de peso crescente nas urnas paraibanas. “Um nome que possa agregar e engajar a direita”, resumiu um aliado do senador.

A legislação eleitoral determina que as convenções partidárias ocorram entre 20 de julho e 5 de agosto do ano da eleição, conforme o Tribunal Superior Eleitoral. O prazo é o mesmo para todos os partidos, mas a pressa de última hora revela que o PL ainda está calibrando o arco de alianças.

Flávio Bolsonaro na convenção: o sinal de alinhamento nacional

A presença confirmada de Flávio Bolsonaro na convenção de domingo não é mera formalidade. Ela reforça o alinhamento da chapa de Efraim com a direita nacional e com o projeto político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Isso impõe um filtro na escolha do vice: o nome precisa ser aceitável tanto para o eleitorado bolsonarista quanto para as bases locais.

Se o vice for do setor produtivo, o discurso será de gestão e geração de emprego. Se for evangélico, a ênfase será em pautas de costumes e valores. Cada perfil atrai um segmento, mas também pode afastar outro. A convenção com Flávio Bolsonaro será o primeiro teste de fogo da unidade do partido.

O que está em jogo para a corrida eleitoral

A definição do vice sinaliza o tom da campanha de Efraim Filho ao Governo da Paraíba e pode influenciar a formação de coligações e apoios. Além da chapa majoritária, a convenção vai homologar as candidaturas de Marcelo Queiroga ao Senado e os nomes para a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados, um pacote que precisa ter coerência interna.

O Código Eleitoral e a Lei das Eleições regulam a formação de chapas e as condições de elegibilidade, mas a política real é feita de escolhas de perfil. Um vice do setor produtivo pode atrair o apoio de federações empresariais; um evangélico pode mobilizar pastores e fiéis. Juliana Cunha Lima, por sua vez, manteria a aliança com Bruno Cunha Lima e daria à chapa uma cara mais familiar e de continuidade administrativa.

O teste que espera a direção do PL paraibano

A indefinição até a véspera da convenção mostra que cada nome carrega um custo político e uma promessa de retorno eleitoral. O que está em jogo é qual discurso o PL vai adotar para conquistar o eleitorado paraibano e como esse discurso se encaixa na presença de Flávio Bolsonaro. A resposta sai na noite deste sábado, mas o impacto se estenderá por toda a campanha.

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