O setor comercial da Paraíba gerou R$ 95,3 bilhões em receita bruta e empregou 126,8 mil trabalhadores em 2024, segundo dados da Pesquisa Anual do Comércio (PAC) divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (29). Desse total, R$ 3,3 bilhões foram pagos em salários e remunerações a 20,2 mil empresas formais do estado.
72,1% dos trabalhadores (91,4 mil pessoas) estão no comércio varejista, 18,5% (23,4 mil) no atacadista e 9,4% (12 mil) no setor de veículos, peças e motocicletas. O salário médio mensal no estado ficou em 1,4 salário mínimo, abaixo da média nacional (1,9) e nordestina (1,5). Os números são da PAC, divulgada pelo IBGE e repercutida pela imprensa local. Isso importa para o paraibano porque o comércio é o segundo maior empregador formal do estado e impacta diretamente a renda de bairros e cidades.
Onde se organizar para fortalecer o comércio local
Empresários e trabalhadores que querem influenciar políticas públicas e defender os interesses do setor têm canais de participação na Paraíba.
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Paraíba (Fecomércio-PB) representa as empresas do setor e atua junto aos poderes públicos, segundo a própria federação. O Sebrae Paraíba oferece programas de capacitação, consultoria e acesso a crédito para pequenos negócios comerciais, com foco no desenvolvimento e na formalização, de acordo com a instituição.
No âmbito federal, a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (Lei Complementar nº 123/2006) garante tratamento diferenciado em tributação, crédito e licitações para micro e pequenas empresas do comércio, conforme o Planalto. O Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (FPMPE), vinculado ao Ministério da Economia, reúne representantes do governo e da sociedade civil para propor políticas para o setor, segundo o ministério.
Como os dados do IBGE ajudam a cobrar melhorias
Associações de bairro, sindicatos e grupos de consumidores podem usar os números da PAC para embasar reivindicações. Por exemplo: o salário médio de 1,3 salário mínimo no varejo (o segmento que mais emprega) é o menor entre os três setores. Sindicatos podem levar esse dado a audiências públicas na Assembleia Legislativa ou em câmaras municipais para discutir políticas de renda e qualificação profissional.
A margem de comercialização de R$ 18 bilhões e a receita bruta de R$ 95,3 bilhões mostram o peso do setor na economia. Conselhos municipais de desenvolvimento econômico, como os existentes em João Pessoa e Campina Grande, podem usar esses números para propor incentivos fiscais ou linhas de crédito específicas para o comércio de bairro.
O papel do consumidor paraibano
Cada escolha de compra afeta diretamente os 126,8 mil empregos do setor. Preferir o comércio de bairro, feiras livres e pequenos varejistas ajuda a manter a circulação de renda dentro da própria cidade. Consumidores organizados podem cobrar transparência de preços e condições de trabalho por meio dos Procons municipais e do Ministério Público da Paraíba.
Participar de associações de moradores e conselhos municipais é outra forma de influenciar o destino do comércio local, propondo horários de funcionamento, melhorias na infraestrutura de ruas e feiras ou campanhas de incentivo ao consumo consciente.
O que está em jogo e em nome de quem
Os R$ 95,3 bilhões representam o movimento de 20,2 mil empresas e a renda de 126,8 mil famílias paraibanas. Decisões sobre tributação, crédito e qualificação profissional, tomadas na Assembleia Legislativa, nas câmaras municipais e nos conselhos setoriais, definem se esse dinheiro vai gerar mais empregos e salários melhores ou se vai se concentrar em poucos segmentos.
A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta da Fecomércio-PB sobre as pautas prioritárias do setor para 2025, mas não conseguiu entrar em contato até a publicação.




