A desistência de Frei Anastácio da candidatura a deputado federal, por problemas de saúde, expôs uma disputa interna no PT da Paraíba que vai além da escolha de um nome. A presidente estadual da legenda, deputada Cida Ramos, confirmou que o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) será o responsável por definir o substituto, em um processo que precisa equilibrar representatividade, capacidade de votos e as regras do sistema proporcional. A informação foi divulgada nesta terça-feira (28).
O partido perdeu um nome com histórico de luta pela terra e apelo junto a movimentos sociais, o que pode enfraquecer a conexão com uma base específica de eleitores. Ao mesmo tempo, a ausência de Frei Anastácio abre espaço para que o PT teste a força de outras lideranças e avalie se a chapa proporcional conseguirá manter o desempenho de eleições passadas.
Como o PT vai escolher o substituto
O processo formal está nas mãos do GTE, que deve se reunir nos próximos dias. Segundo o estatuto do Partido dos Trabalhadores, a escolha de candidatos passa pela aprovação de instâncias partidárias superiores, como o Diretório Estadual ou Nacional. Na prática, isso significa que o nome indicado pelo GTE ainda precisará de aval interno, o que pode gerar mais debate antes do anúncio oficial.
Entre os cotados, Cida Ramos citou o ex-vereador de João Pessoa Jorge Camilo, Saulo, liderança ligada aos movimentos de luta pela terra, e outros três nomes não especificados. O desafio de cada um é claro: capital político e capacidade de mobilização para uma disputa na Câmara dos Deputados, onde a Paraíba elege 12 representantes.
O peso da ausência de Frei Anastácio
Frei Anastácio construiu uma trajetória ligada à reforma agrária e aos movimentos sociais, um segmento que historicamente compõe a base de votos do PT. Sem ele na nominata, o partido corre o risco de perder parte desse eleitorado para outras legendas ou candidatos com perfil semelhante. A escolha de Saulo, por exemplo, sinaliza uma tentativa de manter essa ponte, mas ele não tem o mesmo reconhecimento estadual do ex-deputado.
É aqui que entra a leitura apoiada em dado: o sistema proporcional, como define o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), soma os votos na legenda e nos candidatos individuais para calcular o quociente eleitoral e partidário. Ou seja, um nome fraco pode não apenas perder a própria eleição, mas também prejudicar a votação geral da chapa e da Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV), que funciona como uma única agremiação.
O histórico do PT e o que está em jogo
O PT da Paraíba já enfrentou oscilações em eleições para a Câmara dos Deputados. Em 2022, a federação elegeu um deputado federal no estado, mas a saída de Frei Anastácio tira da chapa um nome que já teve votação expressiva. A pergunta que o GTE terá de responder é se os nomes disponíveis conseguem, juntos, manter ou ampliar a bancada.
A escolha do substituto, portanto, não é apenas uma decisão interna. Ela define se o PT paraibano entra na reta final da campanha com uma chapa competitiva ou com uma fragilidade que outros partidos podem explorar. O anúncio oficial, após a deliberação do GTE, será o primeiro sinal concreto dessa reconfiguração.
A conta que o GTE ainda vai ter de acertar
O que está em jogo é mais do que a vaga de um candidato. A escolha do substituto de Frei Anastácio vai testar a capacidade do PT de manter sua base social ativa, ao mesmo tempo em que precisa atrair votos na federação partidária. Sem um nome forte, a chapa proporcional pode perder tração. Com um nome errado, o partido arrisca isolar ainda mais seu eleitorado tradicional. O resultado da reunião do GTE, nos próximos dias, dará a medida real dessa conta.




