Os pré-candidatos ao governo do estado e ao Senado enfrentam um cenário de alta volatilidade no apoio dos prefeitos paraibanos. Em movimentos rápidos e públicos, gestores municipais têm declarado apoio a um político e, em menos de um dia, mudado de lado. Essa dinâmica, que ocorre de forma explícita, está moldando as alianças para as eleições de 2026.

Casos recentes ilustram a situação. Em Serra Branca, o prefeito apoiou o senador Efraim Filho (PL) em uma sexta-feira e, no dia seguinte, recebeu o ex-prefeito Cícero Lucena (MDB) para declarar apoio a ele. Em Areial, o prefeito Carlos Henrique (PSDB) anunciou apoio a Cícero Lucena, mas desmentiu a informação menos de 24 horas depois e se reuniu com o governador Lucas Ribeiro (PP), que busca a reeleição, de acordo com reportagem do Maurílio Júnior publicada nesta semana. O jogo de interesses define o ritmo da política no estado.

Perdas e trocas no cenário estadual

O governador João Azevêdo (PSB) tem visto prefeitos migrarem para o seu companheiro de chapa ao Senado, Nabor Wanderley (Republicanos). Nabor, ex-prefeito de Patos e pai do deputado federal Hugo Motta, conta com influência política e acesso a emendas parlamentares, fatores que ampliam sua capacidade de atrair apoios.

Em Gurinhém, o prefeito Tarcísio (Republicanos) declarou apoio a João Azevêdo pela manhã e, à tarde, mudou de posição para aderir a Nabor Wanderley. O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) também tem perdido apoios para Nabor Wanderley, mesmo com o prestígio de ser irmão do presidente do Tribunal de Contas da União.

A lógica por trás das mudanças

Em João Pessoa, o deputado estadual Hervázio Bezerra (PSB) afirmou que o prefeito Cícero Lucena (PP) poderá apoiar Nabor Wanderley porque o município precisa de recursos para a saúde. Já em Campina Grande, o prefeito Bruno Cunha Lima (União Brasil) pode ter seus votos distribuídos em três chapas diferentes: votaria em Efraim Filho para governador, apoiaria Veneziano Vital do Rêgo ao Senado e poderá aderir também a Nabor Wanderley.

O mercadão político sem constrangimento

Muitos prefeitos perderam o constrangimento em trocar de apoio publicamente. Embora movimentos assim sempre tenham existido na política, a diferença agora é que eles ocorrem de maneira muito mais explícita. A imagem de normalidade faz parte de um pacto tácito entre os atores.

Isso significa que o eleitor pode ver seu prefeito ao lado de um candidato hoje e, no dia seguinte, de outro. A velocidade das mudanças transformou a pré-campanha em um verdadeiro mercado de negociações.

A corrida por apoios que define 2026

A volatilidade dos apoios municipais coloca os candidatos estaduais em uma posição de constante incerteza. A capacidade de Nabor Wanderley de atrair prefeitos, mesmo de aliados de chapa como João Azevêdo, revela que as alianças formais podem ser frágeis diante de interesses locais imediatos, como o acesso a emendas parlamentares e recursos.

Para os prefeitos, o apoio virou uma moeda de troca com prazo de validade curto, negociada conforme a conveniência do momento. Enquanto isso, as campanhas para governo e Senado seguem sem bases sólidas, dependendo de acordos que podem se desfazer em questão de horas. A lealdade partidária ou de projeto cede espaço a um pragmatismo aberto, que será testado à medida que a eleição se aproxima.