O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) protocolou uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) que pede a cassação do registro ou do diploma de Nabor Wanderley (Republicanos) e a punição de Hugo Motta (Republicanos) por suposto uso de recursos ilícitos vindos do Banco Master. A ação foi registrada a 10 dias do primeiro turno das eleições de 2026.
A ação expõe a tensão na disputa pelo Senado na Paraíba. Pesquisa Quaest de 23 de setembro mostra Nabor e Veneziano empatados na intenção de voto, com o senador do MDB registrando a maior rejeição entre os candidatos ao cargo. A ação foi relatada pela coluna Aparte, do jornalista Arimatéa Souza, publicada no portal ParaibaOnline nesta quinta-feira (24).
O que está em jogo é o timing e a viabilidade jurídica de uma AIJE às vésperas da votação.
O prazo contra o relógio eleitoral
Uma AIJE protocolada a 12 dias do primeiro turno enfrenta o calendário eleitoral. Pela legislação, o juízo eleitoral tem até a data da diplomação (em dezembro) para julgar ações que possam cassar um registro ou um mandato. Na prática, ações protocoladas tão perto da eleição raramente são decididas antes da votação, a menos que haja liminar urgente, o que é incomum sem provas já validadas.
A ação usa prova emprestada de uma investigação que envolve o Banco Master e Daniel Vorcaro. O texto da AIJE sustenta que o material não é conjectura, mas perícia técnica com cadeia de custódia documentada. O TSE admite prova emprestada em AIJE quando há identidade de partes e possibilidade de contraditório, mas o precedente exige que a prova tenha sido produzida com controle judicial prévio. Ainda não se sabe se o material atende a esse requisito.
O que a ação precisa provar para cassar
Para cassar registro ou diploma, é necessário demonstrar abuso de poder econômico ou político com gravidade suficiente para desequilibrar a disputa. A ação de Veneziano alega que a relação de Hugo Motta com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, gerou fluxo ilícito de recursos que beneficiou a campanha de Nabor ao Senado, com Hugo na coordenação executiva.
A AIJE cita registros do celular de Vorcaro como evidência de “intimidade declarada e acesso privilegiado” com Hugo Motta. Ainda não se sabe quais documentos ou transações financeiras foram anexados à ação para comprovar o trânsito de recursos. Sem esse detalhamento, a força da prova depende de análise judicial.
O que está em jogo na Paraíba
A pesquisa Quaest divulgada na véspera do protocolo da ação mostra Nabor e Veneziano tecnicamente empatados na disputa ao Senado. O senador do MDB, autor da AIJE, tem a maior rejeição entre os candidatos. A ação pode ser lida como instrumento jurídico e como movimento político para desgastar o adversário a poucos dias do pleito.
Hugo Motta, deputado federal e líder do Republicanos, e Nabor Wanderley, candidato ao Senado, ainda não se manifestaram publicamente sobre o teor da ação. A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta dos dois, mas não conseguiu entrar em contato.
A conta que a Justiça Eleitoral ainda vai pagar
A AIJE de Veneziano contra Hugo Motta e Nabor Wanderley coloca a Justiça Eleitoral paraibana diante de uma decisão de curto prazo: aceitar a prova emprestada e acelerar a tramitação, ou postergar o julgamento para depois da eleição, o que é o mais comum nesse estágio do calendário. O resultado prático pode ser nulo para o primeiro turno, mas a ação pode influenciar uma eventual diplomação ou gerar recurso ao TSE após o pleito. O que está em aberto é se a prova tem densidade para sustentar uma cassação, e se o timing foi pensado para vencer no jurídico ou no eleitoral.




