Ponte do Futuro: comunidade pode cobrar segurança e transparência

O desabamento de uma estrutura metálica nas obras da Ponte do Futuro, que matou o trabalhador Manoel de Oliveira Silva, de 45 anos, e feriu outros dois operários, atinge diretamente os moradores de Santa Rita, Cabedelo e Lucena. A ponte liga os três municípios da Grande João Pessoa e, quando pronta, vai mudar o deslocamento de milhares de pessoas. Agora, com a retomada das obras em outro trecho a partir desta terça-feira (22), a população dessas cidades quer saber como garantir que o restante da construção seja feita com segurança e que o acidente seja investigado de forma independente, segundo informações do g1.

O Consórcio Jampa, responsável pela obra, informou que a causa do acidente está sendo investigada e que o trecho onde a estrutura caiu permanecerá interditado. O governador João Azevêdo (PSB) determinou ações das forças de segurança para buscar o trabalhador desaparecido. Mas, para além das medidas oficiais, a comunidade pode se organizar para cobrar respostas.

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Canais para a comunidade se organizar e cobrar respostas

Moradores de Santa Rita, Cabedelo e Lucena podem se unir e pressionar por transparência e segurança na obra.

Associações de bairro e grupos de WhatsApp

Cada um dos três municípios tem associações de moradores que podem atuar como ponto de encontro para discutir a obra. Em Santa Rita, a União das Associações de Moradores de Santa Rita (UAM-SR) reúne lideranças de diversos bairros. Em Cabedelo, a Federação das Associações de Moradores de Cabedelo (FAMC) cumpre papel semelhante. Em Lucena, a Associação de Moradores de Lucena (AML) é o canal local. Essas entidades podem organizar reuniões abertas e criar grupos de WhatsApp para compartilhar informações sobre o andamento das investigações e as condições de trabalho no canteiro.

Audiências públicas e Câmaras Municipais

As Câmaras de Vereadores de Santa Rita, Cabedelo e Lucena podem convocar audiências públicas para debater o acidente e cobrar do Consórcio Jampa e do governo estadual medidas de segurança. Moradores podem protocolar requerimentos pedindo a convocação de representantes do consórcio e da Secretaria de Infraestrutura do Estado. O portal Alerta Paraíba já publicou, em 21 de setembro, uma matéria com canais oficiais para buscar informações sobre vítimas do desabamento, que pode servir de base para as cobranças.

Abaixo-assinados e pressão online

Ferramentas como Change.org ou abaixo-assinados físicos podem ser usados para reunir assinaturas de moradores exigindo uma investigação independente do acidente, com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério Público da Paraíba (MPPB). O documento pode pedir também a divulgação periódica de relatórios de segurança da obra e a criação de um canal direto de denúncias para os trabalhadores.

Consórcio Jampa retoma obras em novo trecho

A decisão do Consórcio Jampa de retomar as obras em um novo trecho mostra que a pressão por concluir a ponte segue firme. Mas a pergunta que fica é: em nome de quem essa pressão está sendo feita? Se for em nome da segurança dos operários e da população que vai usar a ponte, as medidas de transparência e investigação independente são urgentes. Se for apenas para cumprir cronograma, o risco de novos acidentes continua. Cabe aos moradores de Santa Rita, Cabedelo e Lucena se organizarem para garantir que a resposta seja a primeira.


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