A movimentação do ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), na disputa por uma vaga no Senado Federal tem incomodado o titular da cadeira, Veneziano Vital do Rêgo (MDB), pré-candidato à reeleição. O cenário coloca os dois em rota de colisão numa das corridas mais acirradas dos últimos tempos no estado.
O incômodo de Veneziano se dá pela ofensiva de Nabor para cooptar apoios de prefeitos municipais, contando com a destinação de emendas parlamentares de seu filho, o deputado federal Hugo Motta, que preside o Republicanos na Paraíba. Essa estratégia é vista como um trunfo para administradores com dificuldades de caixa, segundo análise publicada pelo colunista Nonato Guedes. A pressão sobre Veneziano aumenta com a perspectiva de Nabor buscar o apoio do presidente Lula.
A estratégia de Nabor Wanderley
O ex-prefeito Nabor Wanderley tem feito assédio constante junto ao Palácio do Planalto para figurar entre os pré-candidatos ao Senado na Paraíba apoiados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até então, o apoio de Lula estava definido e dividido para dois adversários políticos no estado: o próprio Veneziano e o ex-governador João Azevêdo (PSB).
Com o avanço de Nabor na estratégia para ter o endosso de Lula, via intermediação de Hugo Motta, o campo de manobra fica estreito para três postulantes. Essa situação, conforme a análise, libera o eleitor petista para votar em quem quiser para o Senado, já que três pretendentes se colocam na base de apoio ao governo federal.
A reação de Veneziano Vital do Rêgo
Veneziano, na semana passada, chegou a mostrar-se irritado com o que chamou de “notícias plantadas”, divulgadas em O Globo, que insinuavam definição de apoio de Lula a João Azevêdo e Nabor Wanderley. O senador move-se com habilidade para não ser acusado de atrapalhar a atração de votos para a reeleição do presidente Lula, prioridade máxima do PT.
Na prática, o apoio do PT local já causou um problema para Veneziano. O diretório estadual do partido tomou posição de apoio à pré-candidatura do governador João Azevêdo (PSB) à reeleição, o que desagradou o pré-candidato a governador Cícero Lucena (MDB). Com isso, Cícero desinteressou-se de enfatizar apoio à reeleição de Lula e está sofrendo investidas do PSD para declarar apoio a Ronaldo Caiado. Veneziano, por sua vez, é apoiado pelos Cunha Lima.
O cenário interno e as alianças
Nas últimas horas, Veneziano esteve em companhia de Cícero Lucena e do também pré-candidato ao Senado André Gadelha em municípios do interior, com a missão de demonstrar unidade. André Gadelha vinha reclamando da falta de espaço dentro da própria chapa, sentindo-se um postulante decorativo, uma espécie de suporte para conter o avanço de Nabor Wanderley.
O governador João Azevêdo, por sua vez, já pressentiu a força de Nabor e passou a fazer campanha casada, espalhando que o bloco governista elegerá chapa completa. O cenário na oposição também está dividido por duas pré-candidaturas ao governo: a de Cícero Lucena e a do senador Efraim Filho (União Brasil).
O que observar a seguir
A disputa pelo Senado na Paraíba se desenha como um embate de estratégias e influência. A capacidade de Nabor Wanderley de converter seu acesso a recursos federais e ao Planalto em apoio concreto de prefeitos será um termômetro de sua força real contra a máquina e a trajetória de Veneziano.
O movimento do PT local, que priorizou o palanque de João Azevêdo, criou fissuras na base de apoio a Lula no estado, abrindo espaço para manobras de outros partidos. A evolução dessa fragmentação, especialmente no campo emedebista, pode definir os rumos da aliança majoritária.
A performance individual dos pré-candidatos e as oscilações nas pesquisas de intenção de voto serão decisivas. Enquanto Veneziano tenta manter a unidade de sua base, Nabor aposta em uma ofensiva agressiva por apoio, tornando a corrida imprevisível e sujeita a reviravoltas até outubro.




