O Banco de Brasília (BRB) anunciou a compra de 5% das ações do Banco Master em março, mas a operação envolveu a transferência de R$ 17 bilhões ao Master, dos quais R$ 12,2 bilhões eram títulos sem valor, as chamadas “carteiras de crédito falsas”. Agora o governo do Distrito Federal busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, com garantia da União, para reforçar o BRB. O caso, que envolve Daniel Vorcaro, controlador do Master, e Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, também atingiu Celina Leão, que nega participação na negociação.
Para o paraibano, a repercussão importa porque o Banco Master tem clientes e investidores na Paraíba. O risco de um calote ou de perdas financeiras pode afetar aplicações locais, além de reduzir a oferta de crédito no estado. A operação expõe fragilidades no sistema bancário que podem se refletir no bolso do consumidor paraibano.
Como funcionou a compra do Master pelo BRB
O conselho de administração do BRB aprovou, em março a compra de 5% das ações do Banco Master. Na prática, o BRB assumiu o controle do Master, mas para isso transferiu R$ 17 bilhões ao banco alvo. Desse total, R$ 12,2 bilhões correspondiam a títulos sem valor, ativos que as investigações apontam como “carteiras de crédito falsas”, ou seja, operações de crédito que não existiam ou que foram superfaturadas. O restante, R$ 4,8 bilhões, teria sido pago em dinheiro ou outros ativos.
O BRB mantém a divulgação de seus balanços financeiros regularmente, o que dificulta a fiscalização externa. Para cobrir o rombo, o governo do DF busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com garantia da União. O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou prazo de 15 dias para que o governo federal, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos se manifestem sobre o pedido de socorro.
Celina Leão, que era vice-governadora do DF à época e assumiu o governo em março, nega envolvimento na operação. Em nota, sua assessoria afirmou que ela soube da compra pela imprensa e sempre foi contra o negócio. A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta de Celina Leão, mas não conseguiu entrar em contato.
O que muda na prática para o paraibano
Clientes e investidores paraibanos do Banco Master podem enfrentar incertezas. Se o BRB não conseguir o empréstimo bilionário, o Master pode sofrer restrições operacionais, como redução de linhas de crédito e dificuldade para pagar aplicações financeiras. A confiança no sistema bancário local também pode ser abalada.
A operação levanta dúvidas sobre a segurança de investimentos em bancos regionais. Paraibanos que aplicaram recursos no Master devem acompanhar as próximas decisões do STF e do Banco Central. O caso segue em investigação, e o prazo dado por Fux para manifestações termina em setembro.




