O paraibano que depende da agilidade da Justiça para ver um processo andar terá em breve uma ferramenta para acompanhar, em tempo real, onde a lentidão está mais grave. A Corregedoria Geral de Justiça da Paraíba iniciou estudos para criar o “Processômetro”, plataforma que reunirá indicadores da atividade judicial em todas as comarcas do estado.

A plataforma poderá mostrar quantos processos de violência doméstica estão parados em cada cidade, quantas audiências foram canceladas, quantos réus presos aguardam julgamento fora do prazo e onde há gargalos na tramitação. O desembargador corregedor-geral Carlos Beltrão informou que o sistema usará inteligência artificial e painéis interativos para sinalizar situações críticas, como uma comarca com muitas audiências adiadas. O modelo é inspirado no Sagres, sistema do Tribunal de Contas da Paraíba que acompanha minuto a minuto a gestão de municípios e órgãos públicos e já está acessível ao cidadão.

O que o Processômetro vai mostrar

Segundo o desembargador, o Processômetro dará uma visão em tempo real para todas as atividades. Os indicadores previstos incluem:

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  • Quantos processos de violência doméstica estão em andamento por comarca
  • Número de audiências realizadas e canceladas
  • Processos com réus presos fora do prazo legal
  • Gargalos na tramitação processual, como conclusos há mais tempo que o devido

O sistema poderá, inclusive, destacar com cores uma comarca que tenha tido muitas audiências canceladas. Isso permite que a administração judicial e os órgãos de controle intervenham mais rápido.

Como fiscalizar hoje

Enquanto o Processômetro não fica pronto, o cidadão não tem uma ferramenta pública que reúna esses indicadores em tempo real. A consulta a processos individuais pode ser feita pelo site do Tribunal de Justiça da Paraíba, mas não há um painel consolidado de desempenho das comarcas. O Sagres, do TCE-PB, serve como referência de transparência na gestão pública, mas cobre apenas contas e contratos, não a atividade jurisdicional.

O que ainda falta saber

O Processômetro está em fase inicial de estudos. Até agora, a Corregedoria não divulgou:

  • Prazo para implantação da plataforma
  • Custo estimado do sistema
  • Se os dados serão abertos ao público ou restritos ao tribunal
  • Canal oficial para o cidadão sugerir prioridades ou cobrar a ferramenta

A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta da Corregedoria sobre esses pontos, mas não conseguiu entrar em contato.

A transparência que o cidadão espera

O Processômetro nasce de uma demanda por mais controle social sobre a lentidão da Justiça na Paraíba. A decisão sobre quando ele será implantado, quais indicadores serão públicos e como o cidadão poderá usar a ferramenta cabe à Corregedoria e ao Tribunal de Justiça. O paraibano, que paga impostos e depende do Judiciário para ver seus direitos garantidos, é quem tem a ganhar com mais transparência, e quem pode, desde já, cobrar que o projeto saia do papel com dados abertos e acessíveis.

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