A pesquisa Anova divulgada nesta terça-feira (8) coloca o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) com 43,4% das intenções de voto no cenário estimulado, mas o espontâneo, em que o eleitor não recebe lista de nomes, cai para 31,8%. A diferença de 11,6 pontos entre os dois cenários indica que uma parte do apoio a Lucas depende de lembrete, ou seja, não é voto consolidado.

O levantamento ouviu 2.000 eleitores em 70 municípios paraibanos entre 3 e 5 de setembro, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Registrado no TRE-PB sob o número PB-01471/2026, o dado principal mostra Lucas à frente, mas a análise da distribuição da amostra e do grau de convicção do eleitorado revela um cenário mais complexo do que a vantagem numérica sugere.

A pesquisa serve para avaliar se a reeleição de Lucas é dada como certa ou se há espaço para surpresas. O que está em jogo é a força do grupo político do ex-governador João Azevêdo (PSB), que não aparece diretamente na disputa, mas cuja influência pode estar por trás dos números de Lucas.

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O que o espontâneo revela sobre a força de Lucas

No cenário espontâneo, Lucas Ribeiro tem 31,8% das menções, enquanto Cícero Lucena (PP) marca 12,9% e Efraim Filho (União), 8,4%. O percentual de indecisos salta para 38,1%, mais que o dobro dos 16,7% do estimulado. Isso significa que Lucas não consegue fixar o nome na mente de um em cada três eleitores que o escolhem quando a lista aparece.

O ex-governador João Azevêdo, que disputa o Senado, foi citado por 0,5% dos entrevistados no espontâneo. Apesar do número pequeno, a força de Azevêdo em pesquisas qualitativas anteriores, registrada em reportagem do Alerta Paraíba do dia 6 de setembro, expõe um cálculo de bastidores: aliados e adversários sabem que o eleitorado de Azevêdo pode migrar para Lucas, mas não de forma automática. A diferença entre o estimulado e o espontâneo de Lucas sugere que parte desse eleitorado ainda não se convenceu totalmente.

Voto definido limita espaço para reviravolta

Dos entrevistados, 71,9% afirmam que a decisão de voto é definitiva, enquanto 18,9% ainda podem mudar e 9,2% não souberam responder. Com menos de um quinto do eleitorado disponível para ser convencido, a margem de mudança até a eleição é estreita. Isso favorece Lucas, que já tem a maior fatia dos votos definidos, mas também significa que os adversários precisam disputar um bolo pequeno de eleitores indecisos.

Para Cícero Lucena e Efraim Filho, o cenário é de estagnação. A pesquisa Quaest anterior, que também circulou no período, mostrava Lucas com 38%, Cícero com 19% e Efraim com 18%. Na Anova, Lucas cresceu 5,4 pontos, enquanto Cícero caiu 0,8 ponto e Efraim perdeu 5,9 pontos. A queda de Efraim indica que a candidatura do senador do União Brasil não conseguiu crescer e pode estar perdendo espaço para o próprio Cícero ou para Lucas.

Cícero e Efraim perdem espaço; segundo turno ainda possível?

Com 43,4% no estimulado, Lucas precisa de mais 6,6 pontos para alcançar a maioria absoluta dos votos válidos (excluídos brancos, nulos e indecisos). Considerando que 71,9% dos eleitores dizem ter voto definitivo, a probabilidade de uma virada é baixa, mas não nula. O risco maior para Lucas está no fato de que 16,7% dos eleitores ainda não sabem em quem votar, e a campanha adversária pode mirar esse grupo.

Cícero Lucena, com 18,2%, e Efraim Filho, com 12,1% (União), disputam a sobra. A diferença de 6,1 pontos entre eles, dentro da margem de erro de 2,2 pontos, coloca Cícero em vantagem, mas não garante o segundo lugar. A situação de Cícero é agravada por pendências judiciais: o TRE-PB formou maioria de 4 a 1 para manter a candidatura dele, segundo o Alerta Paraíba, mas o processo ainda pode gerar instabilidade e desgaste.

O que pode mudar até a eleição na Paraíba

Lucas Ribeiro tem vantagem real, mas não consolidada. O grupo de João Azevêdo, que não aparece na corrida, pode ser o fiel da balança se conseguir transferir votos de forma eficaz. A margem de 18,9% de eleitores que ainda podem mudar de voto é o campo de batalha. Se Cícero ou Efraim conseguirem reverter a queda e atrair os indecisos, um segundo turno deixa de ser improvável. A definição do cenário depende da campanha nos próximos dias.

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