O prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (União Brasil), afirmou nesta terça-feira (25) que não ficará neutro na disputa pelo Senado, mas mantém em aberto o nome do segundo candidato que apoiará. Até agora, Bruno declarou voto apenas no senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB). A outra escolha, segundo ele, virá, e não haverá liberação de aliados para decidir sozinhos. A declaração foi feita a jornalistas e publicada pelo Fonte83.
A indefinição expõe o cálculo que Bruno faz sobre o próprio futuro eleitoral. Em 2028, ele deixará a Prefeitura de Campina Grande e precisará de uma base sólida para disputar o governo do estado ou uma vaga no Congresso. Cada nome na mesa, Nabor Wanderley (Republicanos) ou Marcelo Queiroga (PL), representa um caminho diferente de alianças e territórios.
Em 2022, Bruno apoiou abertamente a candidatura de Efraim Filho (União Brasil) ao Senado, que foi eleito com 617.477 votos (25,86% dos válidos), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Aquele gesto consolidou sua relação com o campo bolsonarista na Paraíba. Agora, porém, repetir o mesmo alinhamento não é automático.
O que Nabor e Queiroga representam para Bruno
Nabor Wanderley, atual prefeito de Patos em seu terceiro mandato (2021 a 2024), tem base eleitoral no Sertão, região que historicamente elege senadores na Paraíba, segundo a Prefeitura de Patos. Escolher Nabor significa selar uma aliança com Hugo Motta (Republicanos), líder do Republicanos na Câmara dos Deputados, e com o campo político do Republicanos, que hoje domina o cenário de Patos e do Sertão. Bruno ganha um palanque forte no interior, mas precisa administrar a presença da senadora Daniella Ribeiro (PP) como suplente de Nabor, relação que o prefeito preferiu não comentar.
Marcelo Queiroga (PL), ex-ministro da Saúde, é o nome do campo bolsonarista puro. Apoiá-lo mantém Bruno alinhado à base de Jair Bolsonaro e ao senador Efraim Filho, que lidera o União Brasil na Paraíba. É um caminho mais previsível com o eleitor de direita de Campina Grande, mas pode isolar Bruno do bloco governista de Hugo Motta.
O peso de não decidir
A demora de Bruno tem custos eleitorais. A eleição para o Senado em 2026 elegerá dois senadores com mandato de oito anos, em sistema majoritário. O eleitor paraibano vota em dois nomes. Quanto mais tempo Bruno leva para definir o segundo voto, mais margem dá para adversários ocuparem o espaço.
Nos bastidores, Nabor aparece como o nome mais provável, mas Bruno não confirmou. A indefinição, na prática, funciona como um adiamento de um desgaste político que ele terá de enfrentar mais cedo ou mais tarde: explicar por que escolheu um candidato e não o outro, e justificar os efeitos disso sobre 2028.
O que ainda pode virar na decisão de Bruno
O que está em jogo é a sucessão em Campina Grande em 2028. Bruno sairá do cargo sem reeleição e precisará de um nome para a Prefeitura e de uma base que o leve a um cargo majoritário. O apoio ao Senado define se ele estará ao lado de Hugo Motta e Nabor, ou se seguirá com o PL de Efraim Filho. A indefinição mantém as duas portas abertas, mas cada dia sem resposta alimenta a insatisfação de aliados.
A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta de Bruno Cunha Lima sobre o prazo da decisão, mas não conseguiu entrar em contato.




