O que cada candidato ao Governo da Paraíba propõe, na prática, para conter o crime organizado no estado? A pergunta foi feita por 300 estudantes de Campina Grande durante a SabaTEENa 2026, promovida pela Rede Paraíba de Comunicação nesta quarta-feira (19). Cícero Lucena (MDB), Efraim Filho (PL) e Lucas Ribeiro (PP) apresentaram três caminhos diferentes, sem confronto direto entre eles, segundo o Jornal da Paraíba.
Os candidatos tiveram dois minutos cada para responder às perguntas dos alunos. O tema da segurança pública dominou o debate, mas nenhum deles detalhou de onde viria o dinheiro para bancar as promessas. O leitor paraibano sai do evento sabendo a direção que cada um aponta, mas sem saber o custo ou o prazo de cada medida.
O que cada candidato propôs
Cícero Lucena defendeu a expansão do monitoramento por câmeras de segurança. Citou como modelo as 3 mil câmeras com reconhecimento facial instaladas em João Pessoa durante sua gestão como prefeito. Prometeu interiorizar os centros de monitoramento. Também criticou o salário pago pelo estado aos policiais militares. Classificou o salário como “o segundo pior do Brasil”. Para ele, é preciso aliar tecnologia à valorização da polícia.
Efraim Filho afirmou que a população vive com medo e que o combate ao crime organizado precisa mirar no topo das facções. Disse que não adianta prender “o trombadinha na esquina” ou “o aviãozinho que está entregando droga”. Defendeu “asfixiar financeiramente o crime” e atacar quem lidera as organizações. Também mencionou a necessidade de educação para evitar que jovens sejam aliciados.
Lucas Ribeiro começou sua fala citando a Operação Território Livre, deflagrada em 2024, e fez uma crítica indireta a Cícero Lucena ao dizer que “o crime organizado penetra no meio político“. O atual governador defendeu a ampliação dos Centros Integrados de Comando e Controle (CICCs), já existem três unidades no estado, e ele afirmou ter solicitado novas para Guarabira e Cajazeiras. Também prometeu criar um batalhão de policiamento rodoviário para reforçar o controle nas divisas estaduais, medida já prevista em lei.
O que ficou em aberto
Nenhum dos candidatos explicou como financiará as propostas. Também não houve detalhamento sobre o impacto esperado de cada medida no interior do estado, onde as facções têm atuação consolidada. Os estudantes, que fizeram nove perguntas de temas variados, não tiveram réplica ou direito a perguntas de acompanhamento.
O que muda na prática para quem mora na Paraíba
O eleitor paraibano sai da SabaTEENa com três opções claras de modelo de segurança: vigilância por câmeras (Lucena), ataque ao topo das facções (Efraim) ou controle territorial com centros de comando e policiamento de divisas (Lucas Ribeiro). A escolha entre elas, no entanto, depende de informações que ainda não foram apresentadas, como o custo, a fonte de recursos e o cronograma de cada proposta. Até lá, o voto continua baseado mais na direção prometida do que no plano concreto.




