A Polícia Federal localizou e apreendeu no domingo (16) um avião avaliado em R$ 250 milhões ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro em Assunção, no Paraguai. A aeronave já está no Aeroporto Internacional de Brasília, onde passará por medidas judiciais. A PF investiga o esquema de lavagem de dinheiro há meses. A pergunta é: quanto do patrimônio oculto de Vorcaro ainda está fora do alcance da Justiça brasileira?
A apreensão faz parte da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de bens que teria movimentado mais de R$ 1 bilhão. Vorcaro é ex-banqueiro condenado por crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro, conforme registra o Tribunal de Justiça de São Paulo. A operação já dura meses e mira bens adquiridos com recursos ilícitos escondidos no exterior.
O que já foi apreendido de Vorcaro
Além do avião, a PF identificou um iate e uma mansão avaliados em R$ 370 milhões. Somando a aeronave, o total de bens já levantados chega a R$ 620 milhões. A PF trabalha com cooperação policial e jurídica internacional em ao menos três países para localizar e bloquear outros ativos. Não há informação pública sobre o valor total que Vorcaro ainda pode ter ocultado.
Como funciona a cooperação para repatriar os bens
A apreensão no Paraguai contou com o apoio da adidância da PF no país e da Secretaria Nacional Antidrogas paraguaia (SENAD/PY). Esse tipo de operação depende de acordos bilaterais de cooperação jurídica. O Brasil tem tratados com Paraguai e outros países que permitem a troca de informações, a execução de medidas cautelares (como bloqueio e apreensão) e, depois, a repatriação dos bens. O processo envolve pedidos formais da Justiça brasileira, análise pelas autoridades locais e, se aprovado, a transferência dos ativos para o Brasil, onde podem ser leiloados ou destinados a indenizações.
A conta que Vorcaro ainda pode ter que pagar
A Operação Compliance Zero não terminou. A PF continua mapeando o patrimônio oculto do ex-banqueiro. A repatriação de cada ativo depende da burocracia internacional e da capacidade de a Justiça brasileira comprovar a origem ilícita dos recursos. O avião já está em Brasília, mas o iate e a mansão ainda podem estar fora do alcance. O desfecho do caso mostrará se a cooperação internacional será suficiente para recuperar os R$ 620 milhões já identificados.


