Um idoso foi preso em João Pessoa suspeito de ameaçar a própria ex-companheira e de fazer denúncias falsas contra vizinhos. O caso, registrado pela polícia nesta semana, mostra o outro lado do controle social: as ferramentas de denúncia existem para proteger a comunidade, mas o abuso delas pode virar crime.
Segundo a investigação, o idoso teria usado os canais oficiais, Polícia Civil, Defensoria Pública e Ministério Público da Paraíba (MPPB), para perseguir a ex-companheira e moradores da vizinhança. O que deveria ser um instrumento de cidadania virou arma de intimidação.
Quais são os canais oficiais de denúncia na Paraíba
O cidadão paraibano tem à disposição pelo menos quatro canais principais para fazer denúncias, cada um com uma função específica:
- Disque 100: canal nacional para denúncias de violação de direitos humanos, como violência doméstica e abuso contra crianças e idosos.
- 190 (Polícia Militar): para ocorrências em andamento ou emergências imediatas.
- Polícia Civil (Delegacia Virtual ou presencial): para registrar boletins de ocorrência e investigar crimes.
- Ministério Público da Paraíba (MPPB) e Defensoria Pública: para casos que envolvem direitos coletivos, proteção de vulneráveis e ações judiciais.
A diferença prática está no tipo de cada canal: o 190 é para urgência, o Disque 100 para violações graves de direitos, e a Polícia Civil e o MPPB para investigações mais complexas. Usar qualquer um deles de má-fé, como no caso do idoso, pode configurar crime.
O que a lei prevê para denúncias falsas
Quem faz uma denúncia falsa ou usa os canais oficiais para perseguir outra pessoa comete crime de denunciação caluniosa (artigo 339 do Código Penal) ou perseguição (stalking, artigo 147-A). A pena pode chegar a 8 anos de reclusão, dependendo da gravidade.
No caso do idoso preso em João Pessoa, as ameaças à ex-companheira e as denúncias falsas contra vizinhos se encaixam nesses tipos penais. A polícia investiga se ele agiu sozinho ou se havia motivação específica.
Como o cidadão pode acompanhar as investigações sem cometer abusos
O paraibano pode fiscalizar se uma denúncia está sendo investigada sem precisar fazer acusações falsas. Os caminhos são:
- Acompanhar o número do boletim de ocorrência na Delegacia Virtual da Polícia Civil da Paraíba.
- Consultar o andamento de inquéritos no site do MPPB ou da Defensoria Pública.
- Participar de audiências públicas e sessões da Câmara Municipal, onde casos de segurança pública são debatidos.
- Usar o canal de ouvidoria do próprio MPPB para cobrar celeridade sem fazer denúncia anônima infundada.
O portal Alerta Paraíba noticiou nesta semana que o Major Fábio, no TRE-PB, pediu que eleitores fiscalizem propaganda eleitoral irregular, e que a Paraíba tem 55 impugnações do MP Eleitoral. São exemplos de como a fiscalização cidadã funciona quando feita dentro da lei.
O que está em jogo para a comunidade de João Pessoa
A prisão do idoso não é só um caso policial. Ela levanta a questão de como a comunidade pode usar os canais de denúncia sem transformá-los em instrumento de vingança pessoal. O bairro onde ele morava, em João Pessoa, agora espera que as investigações avancem para restabelecer a confiança entre vizinhos. A decisão sobre a prisão preventiva ou a liberdade provisória cabe à Justiça, e o desfecho do caso vai mostrar se as ferramentas de controle social estão sendo usadas para proteger ou para punir inocentes.
O cidadão paraibano que quiser denunciar irregularidades tem o direito de fazer, mas também tem o dever de fazê-lo com responsabilidade. O caso serve de alerta: a denúncia falsa não apenas prejudica quem é acusado injustamente, como desgasta os próprios canais que deveriam proteger a população.




