A Justiça determinou o retorno imediato de Rosiene Sarinho ao mandato na Câmara de Bayeux, na noite de quinta-feira (3). A decisão, assinada pela juíza Conceição Marsicano, substitui o afastamento cautelar por medidas restritivas: a vereadora não poderá indicar servidores comissionados, frequentar a prefeitura nem manter contato com vítimas e testemunhas do processo. O retorno reacende a tensão entre a base da prefeita Tacyana Leitão (PSB) e o grupo do vice-governador Lucas Ribeiro (PP), que ganhou o apoio de Rosiene após o rompimento com a gestão municipal.

Segundo o Jornal da Paraíba, a magistrada entendeu que o afastamento total se tornou desproporcional com a exoneração dos executores do suposto esquema e o avanço da investigação, que ainda não resultou em denúncia contra a vereadora. O Ministério Público defendia a manutenção do afastamento.

Poder real com as cautelares

As medidas cautelares impostas reduzem a capacidade de Rosiene de articular politicamente por meio de nomeações, a principal ferramenta de barganha de um vereador com a base. A proibição de indicar comissionados atinge o centro da investigação, que apura suposto esquema de rachadinha com indicações para a prefeitura. Rosiene também não pode entrar na prefeitura, o que limita seu contato direto com a administração municipal.

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No entanto, ela mantém o direito de votar, usar a tribuna e participar das sessões da Câmara. Isso significa que, mesmo com restrições, o grupo do vice-governador Lucas Ribeiro ganha um voto de volta em uma Câmara que pode ter votações apertadas. A prefeita Tacyana Leitão, por outro lado, perde uma aliada e ganha uma opositora declarada.

Reação política e riscos

A prefeita Tacyana Leitão ainda não se manifestou publicamente sobre a decisão. O grupo de Lucas Ribeiro, vice-governador, que já contava com o apoio de Rosiene, agora tem a vereadora de volta, mas com limitações que podem dificultar a articulação política. A vereadora rompeu com a prefeita após Tacyana declarar apoio à candidatura de Cícero Lucena ao governo, enquanto Rosiene passou a apoiar o grupo do vice-governador Lucas Ribeiro e do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP).

O risco político para a prefeita é ter uma voz ativa de oposição na Câmara, que pode usar a tribuna para criticar a gestão e mobilizar a base. Para o grupo de Lucas Ribeiro, o ganho é um voto, mas a investigação ainda corre e pode gerar novas medidas caso a denúncia seja oferecida.

O voto que volta e o que ainda falta

A investigação sobre o suposto esquema de rachadinha está em fase conclusiva, mas ainda não houve oferecimento de denúncia. A juíza considerou que a exoneração dos executores diretos e o avanço da apuração tornam o afastamento total desproporcional. No entanto, as cautelares podem ser revistas se a situação mudar.

O retorno de Rosiene altera a correlação de forças na Câmara de Bayeux, mas seu poder efetivo depende de como ela conseguirá atuar sem a ferramenta de indicação de comissionados. A prefeita Tacyana e o grupo de Lucas Ribeiro observam o desdobramento, enquanto a Justiça mantém o caso em aberto. A redação do Alerta Paraíba tentou conseguir resposta da prefeita Tacyana Leitão, mas não conseguiu entrar em contato.

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