O coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Paraíba, Charliton Machado, afirmou que a visita do presidente ao estado deve ocorrer apenas durante o segundo turno das eleições de 2022. A declaração foi feita em entrevista nesta sexta-feira (21). O motivo central é a falta de unificação entre os palanques aliados no primeiro turno.
Charliton explicou que existem duas frentes de apoio a Lula no estado: o palanque liderado pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e a chapa majoritária que o PT local apoia. Enquanto essa divergência não for resolvida, a presença de Lula no primeiro turno é considerada arriscada politicamente. “Muito provavelmente, se ele tiver que vir, virá no segundo turno, porque a eleição pode estar mais definida em termos de posicionamento dos candidatos”, disse o coordenador.
O peso das pesquisas e do histórico eleitoral
A decisão de concentrar visitas no segundo turno também leva em conta o quadro nacional. Pesquisa Datafolha divulgada em 20 de agosto mostra Lula com 47% das intenções de voto contra 32% de Jair Bolsonaro, com vantagem do petista no Nordeste. Na Paraíba, o histórico é favorável: em 2022, Lula obteve 64,21% dos votos válidos no primeiro turno (1.554.868 votos), segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O resultado coloca o estado entre os de maior densidade eleitoral para o PT, ao lado de unidades federativas governadas pelo partido, como Bahia e Piauí.
Com a vantagem consolidada, a estratégia da campanha é priorizar, nas primeiras semanas, estados onde a disputa é mais apertada ou onde há palanque único. O calendário eleitoral de 2022 prevê o primeiro turno em 2 de outubro e eventual segundo turno em 30 de outubro, conforme o TSE. As visitas presidenciais costumam ser concentradas nas últimas semanas de campanha, o que torna o segundo turno uma janela mais viável para a Paraíba.
O nó dos palanques que Lula terá de desatar na Paraíba
A divisão expõe uma fragilidade na base aliada local. De um lado, Veneziano Vital do Rêgo (MDB) é o principal nome do grupo que sustenta Lula no Senado e comanda um palanque independente. Do outro, a direção estadual do PT apoia a chapa do governador João Azevêdo (PSB), sem consenso entre os partidos da federação. Enquanto essa indefinição persistir, a presença do presidente no primeiro turno pode gerar constrangimento ou favorecer um dos lados em detrimento do outro.
Charliton indicou que a agenda presidencial será definida semanalmente, a partir de setembro. Se a unificação dos palanques não avançar até lá, a visita de Lula à Paraíba ficará mesmo para outubro, quando o quadro eleitoral estiver mais claro. O que está em jogo é a capacidade de os aliados paraibanos apresentarem um discurso coeso, e o timing dessa costura política pode determinar se o estado receberá o presidente antes ou depois do primeiro turno.




