O governador João Azevêdo (PSB) tornou-se o principal ativo eleitoral das eleições de 2026 na Paraíba, segundo movimentos das campanhas e dados de pesquisas qualitativas. O potencial de voto de 63% e a percepção de 65% dos eleitores de que ele merece eleger um sucessor, registrados em pesquisa Quaest de 25 de agosto, transformaram João em referência tanto para aliados quanto para adversários. A tensão real está no modo como cada candidato ao Senado e ao Governo está usando, ou evitando, essa força para calibrar suas próprias campanhas.
Dados da pesquisa Quaest, divulgada pelas TVs Cabo Branco e Paraíba, mostram João Azevêdo com o maior potencial de voto entre os candidatos ao Senado e o melhor saldo entre conhecimento e rejeição. O número sustenta uma leitura que vai além da estatística: a força de João não é apenas numérica, mas estratégica, e está moldando as peças eleitorais de todos os lados.
Como Lucas e Nabor usam João no guia eleitoral
Na campanha do governador Lucas Ribeiro (PP), candidato à reeleição, a ligação é direta e explícita. Os primeiros programas do guia apresentaram Lucas como sucessor de João e responsável por dar continuidade à atual linha administrativa. O raciocínio eleitoral é claro: colar a imagem de João, que tem alta aprovação qualitativa, para validar a candidatura própria.
O ex-prefeito Nabor Wanderley (Republicanos), candidato ao Senado, também dedicou parte do guia desta semana a João. A campanha relacionou realizações do ex-governador à candidatura de Nabor e defendeu a necessidade de tê-lo no Senado ao lado de João. A estratégia, apoiada nos 63% de potencial de voto, tenta transferir a força de João para uma chapa que disputa a mesma vaga que ele.
Por que Queiroga poupou João do ataque com os sacos de farinha
Marcelo Queiroga (PL), candidato ao Senado, produziu um vídeo com inteligência artificial em que usa dois sacos de farinha com os rostos de Nabor Wanderley e Veneziano Vital do Rêgo (MDB). Classificou-os como “farinhas do mesmo saco”. João Azevêdo, que também disputa uma das duas vagas ao Senado, ficou de fora do ataque. O fato revela um cálculo eleitoral: atacar João, que lidera as pesquisas qualitativas, poderia fortalecê-lo ou desgastar quem ataca. O silêncio sobre João é um reconhecimento indireto de sua força entre os eleitores.
Cícero Lucena (MDB), adversário de João e candidato ao Governo, adotou uma linha diferente. No guia e em debates, admitiu que os indicadores da Paraíba são positivos e que o Estado avançou nos últimos anos. A frase “próximo passo” sugere uma tentativa de se diferenciar sem confrontar diretamente a gestão de João, que ainda tem alta aprovação qualitativa.
O que o silêncio de Queiroga sobre João revela sobre a disputa ao Senado
A decisão de Queiroga de poupar João do ataque, enquanto ataca Nabor e Veneziano, mostra que a força de João nas qualitativas está forçando os adversários a recalibrar suas campanhas no interior. A estratégia de Queiroga parece ser disputar a segunda vaga ao Senado. Deixa a liderança de João intocada. Já Veneziano, candidato à reeleição, publica pesquisas em que aparece na segunda colocação e destaca a primeira posição de João. Sinaliza que a associação com o ex-governador pode ser um trunfo, não um problema.
O que está em jogo é a capacidade de cada candidato de capitalizar ou neutralizar a força de João sem perder votos. Se a transferência de votos de João para Lucas e Nabor se confirmar nas urnas, a disputa ao Senado pode se resumir a quem consegue se alinhar melhor a ele. Se Queiroga ou Cícero conseguirem descolar a imagem de João de seus adversários sem desgastar o próprio eleitorado, a corrida pode se reabrir. As pesquisas qualitativas, até agora, indicam que João dita o ritmo, mas o voto de urna ainda pode surpreender.




