O paraibano do Sertão e do Cariri será o primeiro a sentir o calor mais intenso e a estiagem prolongada do El Niño de 2026. A previsão é de temperaturas até 2°C acima da média e perda acelerada de água nos reservatórios. O fenômeno, que pode ser Forte ou Muito Forte, também reduz o volume de chuvas no Litoral, Brejo e Agreste, mas não elimina o risco de tempestades pontuais.
O diagnóstico é da meteorologista Morgana Almeida, do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), em reportagem do g1 PB publicada neste domingo (26). Para o leitor paraibano, a informação sobre os impactos só é útil se vier acompanhada de canais concretos para agir, seja para denunciar falta d’água, cobrar medidas preventivas ou participar das decisões que afetam a própria comunidade.
Onde reportar problemas e cobrar respostas
A Defesa Civil Estadual da Paraíba é o primeiro canal em situações de emergência, como falta de abastecimento, risco de incêndio ou ondas de calor. O órgão atua na prevenção, resposta e recuperação de desastres climáticos. O cidadão pode acioná-la pelo telefone ou site oficial.
A Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado (AESA) monitora os níveis dos reservatórios e faz a previsão hidrometeorológica. É o órgão correto para reportar escassez hídrica localizada ou pedir informações sobre a situação dos açudes.
Quando a falta de água ou a degradação ambiental ameaçar direitos básicos, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) pode ser acionado. O órgão fiscaliza o cumprimento de políticas públicas de acesso à água e proteção ambiental, e recebe denúncias da população.
Onde a comunidade participa das decisões
O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba reúne poder público, usuários da água e sociedade civil para deliberar sobre a gestão dos recursos hídricos. Qualquer morador ou associação pode participar das reuniões e cobrar ações de planejamento hídrico.
O Governo da Paraíba mantém um Plano Estadual de Convivência com a Seca, com medidas de segurança hídrica e apoio à agricultura familiar. Associações de moradores, sindicatos rurais e cooperativas de agricultores podem usar esse plano como base para cobrar do poder público ações como distribuição de cisternas, perfuração de poços e assistência técnica.
O que está em jogo e em nome de quem se decide
As decisões sobre racionamento, liberação de recursos para carros-pipa e prioridade no uso da água estão sendo tomadas agora, com base nas projeções do El Niño. A pressão organizada das comunidades, via associações, conselhos e órgãos de controle, é o que pode garantir que os mais vulneráveis, como pequenos agricultores do Sertão e moradores de áreas urbanas com abastecimento precário, não fiquem em segundo plano. O MPPB e a Defesa Civil são os canais de recurso quando a ação do governo local não chegar onde deveria.




